Mendonça propõe critérios para TSE julgar casos de deepfake nas eleições 2026

Ministro defende definição mais clara para diferenciar conteúdos produzidos por inteligência artificial de deepfakes capazes de enganar eleitores

25/08/2026 22H08

foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentou nesta terça-feira (25) uma proposta de tese jurídica para orientar os julgamentos envolvendo o uso ilegal de deepfakes durante a campanha das eleições de 2026.

A iniciativa busca estabelecer critérios mais claros para identificar quando um conteúdo manipulado por inteligência artificial pode ser considerado uma deepfake. A prática é proibida pela Justiça Eleitoral quando utilizada para criar conteúdos falsos capazes de prejudicar candidatos e interferir no processo eleitoral.

Segundo Mendonça, é necessário diferenciar conteúdos sintéticos produzidos com inteligência artificial dos casos caracterizados efetivamente como deepfake, garantindo maior segurança jurídica nas decisões do TSE.

O que pode ser considerado deepfake

Na tese proposta pelo ministro, uma deepfake pode envolver áudio, vídeo ou a combinação dos dois, produzidos por meio de criação, substituição ou alteração digital de imagem ou voz.

O ponto central é o grau de realismo do material. Para ser enquadrado dessa forma, o conteúdo precisa ser suficientemente convincente para provocar no público uma falsa percepção de que determinada manifestação, comportamento, fato ou situação realmente aconteceu.

Caso envolvendo Flávio Bolsonaro

A proposta surgiu em uma decisão na qual Mendonça determinou a retirada de um vídeo envolvendo imagens do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha alegou que as cenas eram falsas e haviam sido produzidas utilizando inteligência artificial. Ao determinar a suspensão, Mendonça considerou que o material não apresentava registros reais do candidato.

TSE discute regras para campanha eleitoral

O combate às deepfakes já vinha sendo discutido pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Na semana passada, o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, convocou uma reunião para tratar da atuação do tribunal diante desse tipo de conteúdo durante a campanha.

A expectativa é que os critérios sejam aplicados nos próximos julgamentos envolvendo deepfakes nas eleições deste ano.

Em março, o TSE também aprovou regras específicas para utilização de inteligência artificial nas eleições gerais de outubro. Entre as medidas está a proibição de sistemas de IA recomendarem candidatos aos eleitores, mesmo quando solicitados pelos próprios usuários.

As normas também tratam da responsabilização de plataformas digitais e de conteúdos ilegais produzidos ou manipulados com auxílio de tecnologia.

Fonte: Agência Brasil



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