Sonho termina em tragédia: aluno morre após “banho de óleo” em escola de aviação no Paraná

Engenheiro de 27 anos sofreu reação anafilática, teve três paradas cardiorrespiratórias e não resistiu; instrutor foi preso e liberado após pagar fiança

17/07/2026 12H35

arquivo/pessoal

Uma comemoração pela realização do primeiro voo solo terminou em tragédia em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O engenheiro e aluno de aviação Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu após participar de um ritual conhecido como “banho de óleo”.

O caso aconteceu na noite de quinta-feira, 16 de julho, após Gustavo concluir uma etapa importante da formação aeronáutica. Segundo as informações divulgadas, um instrutor teria jogado óleo utilizado em motores de aeronaves sobre o corpo do aluno durante a celebração.

Pouco depois do ritual, Gustavo passou mal e apresentou um grave comprometimento do estado de saúde. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, foram acionadas e encaminharam o jovem ao hospital.

Apesar das tentativas de reanimação realizadas pelas equipes de socorro e pelos profissionais de saúde, o engenheiro não resistiu.

Aluno sofreu reação anafilática

De acordo com informações repassadas pelo Samu à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, Gustavo sofreu uma reação anafilática, considerada a forma mais grave e rápida de reação alérgica.

O aluno teria apresentado uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas pelas equipes médicas, mas Gustavo não resistiu à terceira.

A causa definitiva da morte ainda depende dos exames solicitados pela Polícia Civil. A investigação deverá esclarecer se existe relação direta entre o contato com a substância e a reação apresentada pelo engenheiro.

O que é o “banho de óleo”

O chamado “banho de óleo” é um ritual praticado informalmente em algumas escolas e grupos de aviação para celebrar conquistas dos alunos, principalmente a realização do primeiro voo sem a presença de um instrutor.

A prática é tratada como uma espécie de “batismo” para marcar a entrada do aluno na comunidade de pilotos. Em algumas comemorações, óleo de motor é jogado sobre o corpo do formando.

No caso investigado em Ponta Grossa, a Polícia Civil informou que a substância utilizada seria um óleo empregado em motores de aeronaves.

Instrutor foi preso em flagrante

O instrutor responsável por jogar a substância se apresentou espontaneamente à delegacia e confirmou a participação no ritual.

Segundo a Polícia Civil, ele declarou que o líquido costuma ser jogado do pescoço para baixo dos alunos durante a comemoração. O nome do instrutor não foi divulgado.

O homem foi preso em flagrante por suspeita de homicídio culposo, quando não existe intenção de matar. Após prestar depoimento, ele foi liberado mediante o pagamento de uma fiança de R$ 3 mil.

A polícia informou que, até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem que o instrutor tenha agido com a intenção de provocar a morte de Gustavo.

Polícia investiga composição e quantidade da substância

A investigação é conduzida pelo delegado Lucas Petry. A Polícia Civil pretende apurar a composição exata do óleo, a quantidade utilizada e quais regiões do corpo do aluno foram atingidas.

Também serão analisadas imagens, documentos e informações relacionadas ao ritual. Testemunhas, participantes da comemoração e familiares da vítima deverão ser ouvidos.

Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial. Os resultados deverão ajudar a confirmar a causa da morte e verificar se houve ligação direta entre a exposição ao óleo e a reação anafilática.

A tipificação criminal ainda pode ser mantida ou alterada conforme o avanço da investigação e os resultados das perícias.

Escola de aviação lamenta morte

O Centro de Instrução de Aviação Civil do Aeroclube de Ponta Grossa divulgou uma nota de pesar pela morte de Gustavo.

A instituição informou que o fato aconteceu fora da área do centro de instrução, após o encerramento das atividades de voo. Também afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos necessários.

O centro declarou que não fará novos comentários enquanto as investigações estiverem em andamento, em respeito à memória do aluno e aos familiares.

Amigos e familiares lamentam perda

Nas redes sociais, amigos e familiares prestaram homenagens ao engenheiro. Gustavo foi descrito como um jovem querido, com muitos sonhos e planos para o futuro.

Em uma das mensagens, familiares lembraram que aquele deveria ser um dos dias mais felizes da vida do jovem, pois ele estava realizando o sonho de avançar na formação como piloto.

O caso provocou forte repercussão em todo o país e levantou questionamentos sobre os riscos de rituais realizados com substâncias que podem provocar intoxicações, queimaduras ou reações alérgicas graves.

Fontes: Metrópoles e informações divulgadas pela Polícia Civil, Samu e Centro de Instrução de Aviação Civil, reproduzidas pelo g1.


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