Soja brasileira atinge maior cotação de 2026 e saca chega a R$ 142,65; demanda da China impulsiona preços

Valorização do petróleo, exportações aquecidas e forte apetite chinês levam a soja ao maior preço do ano no Porto de Paranaguá

21/07/2026 18H02

O mercado da soja vive um dos seus melhores momentos em 2026. A saca de 60 quilos alcançou R$ 142,65 no Porto de Paranaguá (PR), registrando a maior cotação do ano e reforçando o bom momento do agronegócio brasileiro. A valorização ocorre em meio à entressafra, ao aumento das exportações e ao crescimento da demanda chinesa pelo grão brasileiro.

O novo patamar representa uma alta diária de 1,16% em relação ao pregão anterior. No acumulado de julho, a valorização já chega a 6,79%, animando produtores e exportadores.

O que está puxando a alta da soja?

Especialistas apontam que a valorização é resultado da combinação de fatores internacionais e da forte procura pelo produto brasileiro.

O primeiro deles é a alta do petróleo no mercado internacional, que impulsiona os preços das commodities utilizadas na produção de biocombustíveis, como a soja. Reflexo disso foi a Bolsa de Chicago, onde os contratos futuros também encerraram o dia em alta, com ganhos de 1,78% para agosto e 1,93% para novembro.

Outro fator decisivo é o aumento das compras pela China, principal destino da soja brasileira.

China amplia compras do Brasil

Dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China mostram que o país importou 12,08 milhões de toneladas de soja brasileira em junho, um crescimento de 13,7% em comparação com o mesmo mês de 2025.

Enquanto isso, as importações chinesas de soja dos Estados Unidos recuaram 20% em junho, influenciadas pela guerra comercial entre os dois países.

No acumulado do primeiro semestre de 2026:

  • a China importou 34,75 milhões de toneladas de soja do Brasil, alta de 9,1%;
  • as compras de soja norte-americana caíram 42,4%, totalizando 9,31 milhões de toneladas.

Mercado pode mudar no segundo semestre

Apesar do cenário favorável ao Brasil, analistas da consultoria Biond Agro avaliam que o comportamento do mercado pode mudar nos próximos meses.

Com o avanço da colheita norte-americana, os Estados Unidos tendem a ampliar sua participação no fornecimento global. Caso a China volte a intensificar as compras do produto americano, as cotações internacionais poderão encontrar novo suporte, principalmente se houver redução nas estimativas de produtividade da safra dos EUA.

Clima e farelo seguem no radar

Além da demanda internacional, o clima continua sendo um dos principais fatores de atenção para o mercado.

As previsões indicam retorno das chuvas em parte do cinturão agrícola dos Estados Unidos, reduzindo momentaneamente as preocupações com a seca. Ainda assim, temperaturas acima da média e distribuição irregular das precipitações mantêm investidores atentos ao desenvolvimento das lavouras.

Outro destaque é o farelo de soja, que continua em valorização devido ao aumento do processamento do grão pelas indústrias e tradings norte-americanas, reduzindo a disponibilidade para exportação e sustentando os preços internacionais.

Brasil segue como protagonista no mercado mundial

O desempenho da soja reforça o protagonismo do Brasil no comércio internacional de grãos. Com exportações em ritmo elevado e forte demanda externa, especialmente da China, o país mantém posição estratégica no abastecimento global, beneficiando produtores e fortalecendo o agronegócio nacional.


Com informações da CNN/Money

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