Fim das bets impulsiona consumo de alimentos no Brasil e supermercados registram alta de até 10,6%

Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados aponta crescimento nas vendas após a proibição das apostas online. Região Sul, que inclui o Paraná, está entre os destaques nacionais.

28/10/2026 16H59

foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A proibição das plataformas de apostas online, conhecidas como bets, começa a apresentar reflexos no consumo das famílias brasileiras. Segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas de alimentos cresceram nas semanas seguintes à medida adotada pelo governo federal.

Entre os dias 5 e 11 de outubro, o varejo alimentar registrou crescimento de 6,5% em comparação com o mesmo período de 2025. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%.

Região Sul lidera crescimento

A Região Sul, formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentou um dos resultados mais expressivos do levantamento.

Na primeira semana analisada, o crescimento chegou a 10,6%. Na segunda, o avanço foi de 9%, mantendo a região entre os destaques do país.

Os números abrangem supermercados, atacarejos, mercearias e outros estabelecimentos do setor alimentício.

Dinheiro volta para produtos essenciais

De acordo com a Abras, o crescimento ocorreu principalmente na compra de produtos básicos, como arroz, óleo, macarrão e café.

A entidade avalia que a proibição das bets, estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, pode estar contribuindo para redirecionar parte do orçamento familiar para a alimentação.

Outro dado citado pela associação é a redução de 10% no número de transações via Pix imediatamente após a proibição. Posteriormente, a queda passou para 7%.

Impacto na economia familiar

Os resultados indicam uma mudança no comportamento do consumo após a retirada das plataformas de apostas abrangidas pela medida.

Entretanto, o levantamento apresenta uma associação entre os acontecimentos e não comprova que todo o crescimento das vendas tenha sido provocado exclusivamente pela proibição.

Para o setor supermercadista, os números reforçam a possibilidade de que recursos antes destinados às apostas estejam sendo utilizados na compra de alimentos e produtos essenciais.


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