Dia Mundial de Conscientização sobre o TDAH reforça importância do acolhimento e do equilíbrio emocional no cuidado com crianças

Especialista destaca que a forma como pais, responsáveis e educadores lidam com as crises influencia diretamente o desenvolvimento emocional e a qualidade de vida de crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

13/07/2026 16H15

Foto: reprodução/assessoria

Neste 13 de julho, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Sensibilização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), especialistas reforçam a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a condição e combater preconceitos que ainda cercam milhares de crianças e famílias.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais conhecidos no mundo e afeta diretamente a capacidade de concentração, organização, controle dos impulsos e regulação das emoções. Apesar disso, muitos casos continuam sendo diagnosticados tardiamente, principalmente quando os sintomas não incluem hiperatividade intensa.

Segundo a psicopedagoga e neuropsicopedagoga Paula Furtado, nem todas as crianças com TDAH apresentam comportamento agitado. Em muitos casos, predominam sinais como dificuldade para manter o foco, esquecimentos frequentes, desorganização e distração constante.

"Por serem, em geral, mais quietas e não apresentarem comportamentos que interrompam a dinâmica da sala de aula, esses sinais podem passar despercebidos por pais e educadores, retardando o diagnóstico e o acompanhamento adequado. Ainda assim, essas crianças também podem enfrentar dificuldades para regular as emoções e precisam de acolhimento, compreensão e estratégias que favoreçam seu desenvolvimento", explica.

Diagnóstico correto evita confusões

A especialista alerta que um dos desafios está na identificação correta da condição. Em algumas situações, o TDAH pode ser confundido com o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), que apresenta características diferentes.

Enquanto o TDAH está relacionado principalmente às dificuldades de atenção, impulsividade e autorregulação emocional, o TOD envolve comportamentos persistentes de desafio às regras, resistência à autoridade e dificuldades em lidar com limites.

Por isso, a avaliação realizada por profissionais especializados é fundamental para definir o tratamento mais adequado e evitar intervenções equivocadas.

O comportamento dos adultos faz diferença

Durante episódios de desregulação emocional, a reação dos adultos exerce papel decisivo na recuperação da criança.

De acordo com Paula Furtado, pais, professores e cuidadores devem buscar controlar as próprias emoções antes de tentar intervir.

Entre as estratégias recomendadas estão:

  • manter uma postura calma;
  • falar com voz firme e acolhedora;
  • utilizar frases curtas e objetivas;
  • oferecer água ou contato físico, caso a criança aceite;
  • afastar curiosos e reduzir estímulos externos;
  • conduzir a criança para um ambiente tranquilo e silencioso.

Essas atitudes ajudam o cérebro infantil a recuperar o equilíbrio emocional de forma mais rápida e segura.

Transformar a crise em aprendizado

Após o momento de tensão, também é importante conversar com a criança sobre o ocorrido.

Em vez de punições, sermões ou humilhações, o ideal é estimular a identificação das emoções, compreender o que desencadeou a crise e pensar, junto com a criança, em maneiras de lidar melhor com situações semelhantes no futuro.

Segundo a especialista, esse processo fortalece a inteligência emocional e contribui para o desenvolvimento gradual da autonomia.

Histórias, brincadeiras e conversas ajudam no desenvolvimento

Paula Furtado destaca ainda que atividades simples podem fortalecer o desenvolvimento emocional das crianças com TDAH.

Narrativas, contação de histórias, jogos educativos, desenhos, perguntas sobre sentimentos e conversas diárias fazem com que a criança aprenda a reconhecer emoções antes que elas se transformem em crises.

A psicopedagoga ressalta que esse trabalho deve acontecer de maneira contínua, tanto em casa quanto na escola.

"Este é um momento propício para compreender que um olhar acolhedor contribui para a construção emocional dessas crianças", conclui.


Quem é Paula Furtado

Pedagoga formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Paula Furtado possui especializações em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Educação Especial, Arteterapia, Leitura e Escrita e Arte de Contar Histórias.

Atua no atendimento de crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem, incluindo casos envolvendo traumas e vulnerabilidade emocional. Também ministra cursos para formação de educadores, realiza palestras para famílias, produz conteúdos educativos nas redes sociais e é autora de mais de 100 livros infantojuvenis, além de jogos pedagógicos utilizados em instituições de ensino em todo o país.

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