Cesárea pode aumentar em 45% o risco de câncer de placenta após mola gestacional, aponta estudo da UFRJ

Pesquisa realizada em parceria com a Universidade de Harvard identificou maior risco de neoplasia trofoblástica gestacional em mulheres que já passaram por cesariana

26/07/2026 17H00

foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Um estudo liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, revelou que mulheres com histórico de cesariana apresentam 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer de placenta que pode surgir após uma mola gestacional.

A pesquisa analisou dados de 2.904 pacientes atendidas entre 2002 e 2022 no Brasil e nos Estados Unidos. Entre as mulheres que haviam passado por pelo menos uma cesariana, 26,5% desenvolveram a neoplasia, contra 20,8% daquelas sem histórico de parto cirúrgico. Após o controle de outros fatores de risco conhecidos, os pesquisadores concluíram que a cesariana anterior aumenta o risco de forma independente.

O que é a mola gestacional?

A mola gestacional, também conhecida como doença trofoblástica gestacional, ocorre quando há uma fertilização anormal do óvulo, resultando na formação de uma placenta com desenvolvimento inadequado. Em alguns casos, não há formação do embrião (mola completa); em outros, há um embrião inviável (mola parcial).

Após o diagnóstico, a gestação precisa ser interrompida e o tecido anormal removido. Embora a maioria das pacientes tenha recuperação completa, parte delas pode desenvolver a neoplasia trofoblástica gestacional, um câncer originado das células da placenta.

Segundo especialistas, o câncer ocorre em menos de 5% dos casos de mola parcial, mas pode atingir cerca de 20% das pacientes com mola completa.

Hipótese dos pesquisadores

Os cientistas acreditam que a cicatriz deixada pela cesariana pode alterar o ambiente do útero. Entre as hipóteses estão mudanças no sistema imunológico local, remodelação dos vasos sanguíneos e formação de fibrose, fatores que poderiam favorecer a permanência e o crescimento das células da mola gestacional.

Os autores destacam que o histórico de cesariana deve ser considerado mais um fator de atenção durante o acompanhamento de mulheres diagnosticadas com mola gestacional.

Brasil registra milhares de casos por ano

A doença trofoblástica gestacional é mais frequente no Brasil do que em diversos países desenvolvidos. Estima-se que ocorra um caso a cada 200 a 400 gestações, resultando em aproximadamente 2,9 mil registros anuais de neoplasia trofoblástica gestacional.

O Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, considerado o terceiro maior centro mundial de pesquisa e atendimento da doença, acompanha cerca de 80 pacientes por semana pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Especialistas reforçam importância do acompanhamento

Os pesquisadores ressaltam que o estudo não significa que a cesariana cause câncer, mas indica que mulheres com histórico de cesariana e diagnóstico de mola gestacional devem receber acompanhamento rigoroso.

A recomendação é que o tratamento e o monitoramento sejam realizados em centros especializados, onde há maior experiência para identificar precocemente qualquer evolução da doença e iniciar o tratamento quando necessário.

Fonte: Agência Brasil.


#Saúde #Gestação #Cesárea #MolaGestacional #CâncerDePlacenta #UFRJ #Pesquisa #Medicina #Mulher #PortalJnotícias

Veja Mais