Anvisa proíbe substâncias tóxicas em esmaltação em gel: risco de câncer e infertilidade alerta profissionais e consumidoras

Brasil segue padrão europeu e dá 90 dias para retirada total de produtos com TPO e DMPT do mercado

30/10/2025 19H45

foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quarta-feira (29) a proibição imediata do uso de duas substâncias químicas perigosas encontradas em produtos de unhas e esmaltação em gel: o TPO (óxido de difenil [2,4,6-trimetilbenzol] fosfina) e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também conhecido como dimetiltolilamina (DMTA). Esses compostos são ativados por luz ultravioleta ou LED e amplamente utilizados em salões de beleza no Brasil.

Segundo a Anvisa, a decisão tem o objetivo de proteger a saúde das consumidoras e dos profissionais da estética, que ficam expostos constantemente a essas substâncias. Estudos indicam que o DMPT pode causar câncer em humanos, enquanto o TPO é tóxico para a reprodução e pode afetar a fertilidade.

A medida coloca o Brasil em sintonia com os padrões de segurança da União Europeia, que recentemente também baniu os dois compostos. A proibição vale para qualquer produto cosmético que contenha essas substâncias, incluindo esmaltes em gel, bases, selantes e demais itens utilizados na técnica.
A fabricação, importação e registro de novos produtos com TPO ou DMPT estão imediatamente proibidos. Já os estabelecimentos comerciais, distribuidoras e salões de beleza terão 90 dias para suspender a venda e o uso, além de promover o recolhimento dos estoques existentes. Após esse período, todos os registros e notificações serão cancelados pela Anvisa.

De acordo com a diretora Daniela Marreco, relatora da resolução, a decisão é uma ação preventiva de saúde pública.

“Mesmo que o risco seja maior para os profissionais, usuárias e usuários também estão sujeitos aos efeitos nocivos da exposição. Diante desse cenário, é dever do Estado atuar de forma preventiva, evitando a continuidade de um risco que é totalmente evitável”, destacou.

Ela explicou ainda que os efeitos negativos são geralmente causados por exposições repetidas e prolongadas, mas reforçou que isso não elimina a necessidade da proibição imediata.

“A medida é tempestiva e cumpre o papel de proteger a população, impedindo que substâncias inseguras continuem sendo utilizadas”, completou Daniela.

Com a resolução, a Anvisa reforça o compromisso com a segurança do consumidor e a regulamentação responsável de cosméticos no país, destacando a importância da vigilância constante sobre produtos que envolvem riscos químicos e ocupacionais.

Informações são da Agência Brasil


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