Aeronaves, petróleo, café e carne bovina ficam fora do tarifaço imposto pelos Estados Unidos
Produtos estratégicos representam cerca de um terço das exportações brasileiras ao mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Aeronaves civis, petróleo, café e carne bovina estão entre os principais produtos brasileiros que ficaram fora da sobretaxa de 25% anunciada pelos Estados Unidos. Juntos, esses setores responderam por aproximadamente um terço das exportações do Brasil ao mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026.
A nova tarifa foi imposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, e atingirá uma ampla lista de produtos brasileiros. A cobrança adicional está prevista para entrar em vigor no dia 22 de julho de 2026.
Além de itens da aviação civil, petróleo, carne bovina e café, também foram excluídos da sobretaxa produtos como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.
Produtos estratégicos escapam da cobrança
As isenções atingem setores de peso na pauta exportadora brasileira e reduzem parte do impacto econômico provocado pela medida norte-americana. Café, carne, petróleo e aeronaves possuem forte presença no comércio bilateral e envolvem grandes cadeias de produção, geração de empregos, transporte e logística.
Segundo a justificativa apresentada pelos Estados Unidos, foram poupados produtos que não são produzidos internamente em quantidade suficiente ou que não são encontrados a preços considerados razoáveis no mercado norte-americano. A retirada desses itens da lista busca evitar desabastecimento, aumento de custos e dificuldades para consumidores e empresas dos próprios Estados Unidos.
A decisão representa um alívio para parte dos produtores e exportadores brasileiros, mas não elimina a preocupação com os efeitos do tarifaço sobre outros segmentos importantes da economia.
Setores continuam sujeitos à tarifa
Entre os produtos que permaneceram na lista de taxação estão ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos não destinados ao setor de aviação e outros produtos manufaturados.
A cobrança adicional pode tornar os produtos brasileiros mais caros nos Estados Unidos, reduzir a competitividade das empresas nacionais e provocar queda nas vendas externas. O impacto poderá atingir indústrias, produtores rurais, fornecedores e trabalhadores ligados às cadeias exportadoras.
O setor de máquinas agrícolas também está entre os mais preocupados, especialmente pelo peso da indústria de equipamentos na economia brasileira e pela importância desse segmento para estados com forte produção agropecuária.
Governo brasileiro contesta tarifaço
O governo brasileiro repudiou a decisão e declarou não reconhecer a legitimidade da investigação conduzida pelo USTR. Segundo o posicionamento oficial, não existem justificativas para a imposição das novas tarifas contra os produtos do Brasil.
A investigação norte-americana alegou que determinadas práticas brasileiras restringiriam ou tornariam mais oneroso o comércio para agricultores, trabalhadores, empresas inovadoras e exportadores dos Estados Unidos. O argumento, no entanto, foi rejeitado pelo governo brasileiro.
O Brasil também informou que iniciará os procedimentos para utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. O país ainda pretende retomar a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, a OMC.
Exportadores acompanham os impactos
Empresas e entidades do setor produtivo acompanham com preocupação os efeitos da taxação sobre as exportações brasileiras. Apesar das exceções concedidas, uma parcela relevante dos produtos nacionais enfrentará custos maiores para entrar no mercado norte-americano.
O aumento das tarifas pode provocar redução de encomendas, necessidade de renegociação de contratos e busca por novos mercados internacionais. Para as empresas mais dependentes das vendas aos Estados Unidos, a mudança poderá afetar investimentos, faturamento e manutenção de postos de trabalho.
Por outro lado, a isenção concedida ao café, à carne bovina, ao petróleo e às aeronaves preserva parte importante das receitas externas brasileiras e evita um impacto ainda maior na balança comercial do país.
Relação comercial entra em nova fase
Estados Unidos e Brasil mantêm uma relação comercial estratégica, envolvendo produtos industriais, agrícolas, minerais e energéticos. A adoção das tarifas abre um novo período de tensão entre os dois países e aumenta a pressão por uma solução diplomática.
Enquanto as negociações continuam, o governo e o setor produtivo brasileiro avaliam medidas para proteger as empresas atingidas, diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados específicos.
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