União Europeia suspende importação de carnes do Brasil e Paraná pode perder mais de US$ 392 milhões
Restrição atinge frango, carne bovina, suína e outros produtos de origem animal; Paraná, maior exportador brasileiro de frango, está entre os estados mais expostos aos impactos da medida
Foto: Freepik
A partir desta quinta-feira (3), está suspensa a exportação de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia (UE). A restrição envolve carne de frango, bovina e suína, além de ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.
A medida está relacionada às regras europeias que restringem o uso de determinados antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal.
O impacto preocupa especialmente o Paraná, maior exportador brasileiro de carne de frango.
Paraná pode perder mais de US$ 392 milhões
Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), o embargo europeu pode provocar impacto superior a US$ 392,2 milhões por ano nas principais cadeias pecuárias paranaenses, considerando avicultura e bovinocultura de corte.
A dimensão do impacto está diretamente ligada à força da produção paranaense.
Em 2025, o Paraná exportou 2,103 milhões de toneladas de carne de frango, respondendo por 40,76% de todas as exportações brasileiras do produto. Santa Catarina ficou em segundo lugar, com participação de 23,28%.
Frango pode acumular perdas milionárias
No setor de frango, existe expectativa de que a suspensão seja revertida em novembro, depois da conclusão da auditoria europeia.
Até lá, as perdas brasileiras podem chegar a aproximadamente US$ 243 milhões, considerando a média mensal de US$ 97,136 milhões exportada para o bloco europeu neste ano.
O Brasil já adotou, desde 1º de julho, novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas e demais produtos de origem animal.
Carne bovina pode ficar fora até 2028
A situação é mais complexa para a carne bovina.
O setor brasileiro pode deixar de exportar aproximadamente US$ 1,828 bilhão entre setembro de 2026 e julho de 2028, período estimado para adaptação às novas exigências.
A restrição pode durar mais tempo porque o ciclo de vida dos bovinos varia entre 24 e 36 meses. Dessa forma, o produto brasileiro pode permanecer fora do mercado europeu até meados de 2028.
Carne pode ficar mais barata no Brasil?
A interrupção das exportações também abre uma discussão sobre possíveis reflexos nos supermercados brasileiros.
O professor José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília, avalia que o redirecionamento de produtos anteriormente destinados à Europa pode aumentar a oferta no mercado interno e pressionar para baixo os preços do frango e da carne bovina.
Não há consenso, entretanto. O especialista em comércio exterior Celso Figueiredo avalia que a participação europeia nas exportações brasileiras é relativamente pequena e que existem outros mercados capazes de receber parte dos produtos. Por isso, ele não espera impacto significativo nos preços internos.
China, Estados Unidos e Oriente Médio são alternativas
Entre os mercados capazes de absorver parte dos produtos estão China, Estados Unidos e países do Oriente Médio.
A Ásia também aparece como alternativa, principalmente diante da abertura de novos mercados nos últimos anos, embora parte dessas oportunidades não tenha efeito imediato.
Enquanto governo e entidades do setor trabalham para restabelecer as vendas para a União Europeia, o Paraná acompanha a situação com atenção, principalmente por sua liderança nacional na produção e exportação de carne de frango.
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