União Europeia restringe entrada de carnes brasileiras e setor teme impacto nas exportações
Medida atinge carnes bovina, suína e de aves, além de outros produtos de origem animal; adequação às novas exigências europeias pode ser mais demorada para o setor bovino
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A União Europeia (UE) restringiu a entrada de diversos produtos de origem animal do Brasil desde 3 de setembro. A medida alcança carnes bovina, suína e de aves, além de peixes de cultivo, mel, equinos, ovos e envoltórios, como tripas, e já preocupa o setor exportador brasileiro.
A restrição está relacionada à aplicação do Regulamento Delegado (UE) 2023/905, que estabelece exigências sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal, incluindo antibióticos.
De acordo com informações apresentadas pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), a questão envolve a capacidade brasileira de comprovar documentalmente o cumprimento das novas regras ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a criação dos animais até o abate.
A entidade ressalta que a suspensão não decorre de um problema sanitário identificado na carne brasileira, mas das exigências de comprovação estabelecidas pelo bloco europeu.
Carne bovina pode enfrentar restrição mais longa
No caso da carne de frango, existe expectativa de que a situação possa ser revertida em novembro, após a conclusão de auditoria europeia.
Para a carne bovina, entretanto, a adequação poderá levar mais tempo. A avaliação apresentada pela Fieg aponta que o produto brasileiro pode enfrentar restrições no mercado europeu até meados de 2028, devido ao período necessário para que a cadeia produtiva consiga demonstrar o cumprimento das novas regras durante todo o ciclo dos animais.
O ciclo de produção dos bovinos pode durar entre 24 e 36 meses.
O analista econômico da Fieg, Saulo Nogueira, alerta ainda para o risco de outros mercados adotarem medidas semelhantes. A Noruega, segundo a entidade, também anunciou restrições por precaução.
Goiás calcula perdas milionárias
Em Goiás, um dos principais estados produtores de carne do país, a Fieg estima impacto potencial de US$ 16,8 milhões por mês sobre as exportações de produtos de origem animal.
Em 2025, o estado exportou US$ 190 milhões desses produtos para o mercado europeu, sendo que a carne bovina representou cerca de 90% do total, com US$ 171 milhões.
Entre janeiro e julho de 2026, as vendas goianas para a Europa chegaram a US$ 96 milhões.
Para enfrentar as restrições, o Ministério da Agricultura e Pecuária adotou novas medidas de controle e proibiu o uso de antimicrobianos como aditivos melhoradores de desempenho animal. O governo brasileiro também trabalha na atualização da documentação e dos mecanismos de certificação exigidos pelos europeus.
Enquanto busca a regularização, o setor avalia a ampliação das vendas para mercados como China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul.
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