TSE suspende novas publicações e seguidores no canal “Exército do Lula”, com 3,7 milhões de inscritos

Decisão do ministro Kassio Nunes Marques impede novas postagens no WhatsApp até regularização do canal na Justiça Eleitoral. Meta também deverá monitorar conteúdos.

13/10/2026 12H02

Fellipe Sampaio/SCO/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta terça-feira (13 de outubro) a suspensão de novas publicações e da entrada de seguidores no canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O canal, que reúne aproximadamente 3,7 milhões de seguidores no WhatsApp, tornou-se um dos principais instrumentos de mobilização digital ligados à campanha de Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Canal terá que cumprir exigências da Justiça Eleitoral

De acordo com a decisão, o canal somente poderá retomar as atualizações após a comunicação formal de seu endereço eletrônico à Justiça Eleitoral e o cumprimento de um prazo de 48 horas, previsto nas normas eleitorais.

Após a determinação, a defesa da campanha de Lula comunicou formalmente a existência do canal ao TSE, iniciando o processo de regularização.

A decisão não representa, por si só, o encerramento definitivo do canal, mas estabelece restrições ao seu funcionamento.

Meta terá que monitorar publicações

Nunes Marques também determinou que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, acompanhe de forma proativa as publicações do “Exército do Lula” e de outros canais de grande alcance identificados pelas campanhas presidenciais.

O objetivo é impedir a circulação de conteúdos que já tenham sido considerados irregulares pela Justiça Eleitoral e estejam sujeitos a ordens de remoção.

A empresa também deverá preservar registros das publicações para permitir eventual fiscalização.

Disputa entre ministros do TSE

A nova determinação ocorre após uma sequência de decisões divergentes dentro do Tribunal Superior Eleitoral.

No domingo (11), Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a medida e autorizou o restabelecimento das atividades.

Cueva argumentou que a suspensão havia sido determinada em um processo administrativo, embora a questão já estivesse sendo analisada judicialmente.

Nesta terça-feira (13), Nunes Marques voltou a restringir as atividades do canal, desta vez fundamentando a decisão na ausência de comunicação formal à Justiça Eleitoral.

Decisão aumenta tensão na disputa presidencial

O episódio ocorre em meio à campanha do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, marcado para 25 de outubro.

A campanha de Flávio questiona o uso do canal e aponta suposta disseminação de desinformação. Já Lula e aliados criticaram as restrições, alegando prejuízo à liberdade de expressão e à mobilização eleitoral.

Com milhões de seguidores, o “Exército do Lula” permanece no centro de uma disputa jurídica e política sobre os limites da propaganda eleitoral nas plataformas digitais.

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