Safra recorde de café em 2026 deve alcançar 67,6 milhões de sacas no Brasil

Sul de Minas Gerais se destaca com produção estimada em 15,9 milhões de sacas de arábica. Produtores já investem na formação de novas lavouras para garantir produtividade nos próximos anos.

09/10/2026 11H00

plantio de café ao amanhecer

A produção brasileira de café deve atingir um novo recorde em 2026, com estimativa de 67,6 milhões de sacas beneficiadas, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro. O volume representa um crescimento de 19,6% em comparação com 2025 e pode estabelecer a maior safra da série histórica da instituição.

O desempenho é impulsionado principalmente pelas condições climáticas favoráveis e pela recuperação da produtividade das lavouras, especialmente em Minas Gerais, maior estado produtor de café do país.

Sul de Minas se destaca na produção

A região Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais deve produzir aproximadamente 15,93 milhões de sacas de café arábica em 2026. Em todo o estado, a estimativa chega a 34,96 milhões de sacas da espécie.

A produtividade média nacional também apresentou crescimento expressivo, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare, aumento de 13,8%.

Entre os fatores que contribuíram para os resultados estão a melhor distribuição das chuvas antes da floração, as condições climáticas favoráveis até março e a bienalidade positiva do café arábica.

Produtores já planejam as próximas safras

Mesmo com os resultados históricos, os cafeicultores já direcionam esforços para a implantação e renovação das lavouras.

Diferentemente das culturas anuais, o café permanece produtivo por vários anos. Por isso, decisões tomadas durante o plantio podem influenciar diretamente o desenvolvimento das plantas e a produtividade futura.

O preparo do solo, o desenvolvimento das raízes, a disponibilidade de água e a qualidade das mudas estão entre os principais fatores que precisam ser observados.

Segundo Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, a implantação exige planejamento.

“Quando falamos em café, estamos falando de uma cultura que permanecerá naquela área por muitos anos. Por isso, a implantação não pode ser tratada apenas como mais uma operação de campo”, explica.

Tecnologia e manejo ganham importância

A formação de um cafezal uniforme é considerada essencial para evitar diferenças no desenvolvimento das plantas.

Entre as alternativas utilizadas pelos produtores estão tecnologias voltadas ao crescimento inicial das mudas, como o HYB PLUS, empregado pela Hydroplan-EB em programas de manejo para implantação do café.

A escolha das práticas deve considerar as características de cada propriedade, incluindo solo, disponibilidade hídrica, variedade cultivada e condições climáticas.

Para Carvalho, os resultados de 2026 mostram o potencial da cafeicultura brasileira, mas também reforçam a importância do planejamento.

“Produtividade não começa quando o café está produzindo. Ela começa muito antes, na forma como essa lavoura é implantada e conduzida desde os primeiros estágios”, conclui.

Com a expectativa de uma safra histórica, o setor cafeeiro brasileiro reforça sua importância econômica e já prepara as bases para manter a produção nos próximos anos.


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