Sabedoria é ser dono do sentido que se dá aos acontecimentos

O ser humano não foi criado para viver deprimido, inseguro e infeliz.

03/10/2021 21H45

foto: reprodução/arquivo pessoal

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

iraja@prof.unipar.br

 

Bertrand Arthur William Russell (1872 – 1970), foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos, ensaístas, historiadores e lógicos que viveram no século XX. Em vários momentos na sua vida, ele se considerou um liberal, um socialista e um pacifista. Mas, também admitiu que nunca foi nenhuma dessas coisas em um sentido profundo. Foi um grande popularizador da filosofia. É dele a frase: “É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa, que impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre”. 

 O mundo está carente de pessoas serenas. Muitas pessoas não percebem que os maiores tesouros já foram conquistados. Ficam atrás do que falta atingir e não desfrutam o que está às mãos. Não conseguem fazer a leitura dos acontecimentos cotidianos (na família, no trabalho, na vida social e política). Falta-lhes a maturidade. Pessoas sábias criam o amanhã e desfrutam o presente, ou seja, a sabedoria consiste em ser dono do sentido que se dá aos acontecimentos. Logo, a maneira de perceber o que se tem e o que se é define a sensação de plenitude na vida.

Certamente, vivemos momentos difíceis aqui no Brasil e no mundo. A crise de valores éticos e morais foram potencializadas nesse período.  A pandemia provocou alterações irreversíveis na vida das pessoas. A convivência social foi substituída pelo “isolamento social”. O emprego, para muitos, foi transformado em desemprego e para outros em “home office”. A continuidade dos estudos escolares foi possível, para poucos, apenas na forma remota. Consultas médicas também foram feitas de forma remota. Nem mesmo os almoços, em família, nos finais de semana, resistiram ao medo de se contaminar pelo vírus. Se não bastasse tudo isso, a perda do ente querido sem o direito de despedidas costumeiras, provocou nas pessoas envolvidas no luto, desequilíbrios emocionais inimagináveis.

Por conseguinte, as estatísticas recentes mostram altos índices de suicídio, crises de ansiedade, depressão e síndrome do pânico. A violência familiar contra mulher, criança e idoso se alastrou para todos os cantos do país. A incidência de divórcio disparou. A vulnerável instituição familiar está ameaçada de ruir. No meio de todo esse caos pessoal e familiar, no Brasil, estamos vivendo uma das maiores crises políticas dos últimos tempos, e, ao que parece, orquestrada por estrangeiros interessados em destruir a soberania nacional. É preciso reagir com sabedoria a todos estes acontecimentos. De que lado você está? Dos que reagem aos acontecimentos inesperados da vida ou dos que sucumbem a eles?

O ser humano não foi criado para viver deprimido, inseguro e infeliz. Gente deprimida luta para ter todas as riquezas, sem se dar conta de que a alegria de viver nasce do coração, e não das posses materiais. Gente insegura procura juntar todo o dinheiro do mundo, sem perceber que a segurança nasce da capacidade de acreditar na vida, e não da conta bancária. Se temos segurança, acreditamos, mesmo desempregados, em nossa capacidade de recomeçar, de estudar, de aprender. Em síntese, de ser feliz.

 Bertrand Russell nos ensina que “Uma vida feliz deve ser em grande parte uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer”. A todo tempo, no trajeto da vida, é preciso refletir sobre o caminho que deve ser percorrido. É atitude sábia mudar a rota caso seja necessário. Adote posturas produtivas, seja sereno e use a dor para transformar sua vida! 

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