Plano Safra transforma investimentos em força para a produção de arroz

Cooperados da Cresol em SC e no RS mostram como o Plano Safra impulsiona tecnologia, produtividade e o futuro da agricultura familiar

26/08/2026 17H00

Antes de chegar à mesa dos brasileiros, o arroz passa por muitas decisões. Tem a terra que precisa ser preparada, a semente que precisa ser escolhida, o adubo que precisa chegar no momento certo e as máquinas que precisam estar prontas quando a lavoura exige. Para quem vive da agricultura, cada escolha conta.

No Sul do Brasil, essa realidade ganha uma dimensão ainda maior. Na safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 11,09 milhões de toneladas de arroz no país. Desse total, cerca de 7,82 milhões de toneladas devem ser produzidas no Rio Grande do Sul e 1,23 milhão em Santa Catarina. Juntos, os dois estados concentram aproximadamente 81,7% da produção nacional projetada para o ciclo, reforçando a importância da região para uma cultura que movimenta propriedades, comunidades e toda uma cadeia produtiva.

Por trás desses números estão famílias que encontram no campo uma forma de sustento, trabalho e também de construir o futuro. É o caso de Jair Bergmann Pereira, cooperado da Cresol Treze de Maio, atendido pela agência de Urussanga desde 2021.


A relação da família com o arroz começou há cerca de 20 anos, quando Jair cultivava apenas um hectare. Aos poucos, a lavoura cresceu e hoje ocupa 12 hectares, com uma produção média entre 2.200 e 2.300 sacas por safra. Para ele, o arroz representa uma cultura que traz segurança para a propriedade e que, ao longo dos anos, foi acompanhada por uma trajetória de muito trabalho e investimento.

Por meio do custeio do Pronaf, uma das principais linhas do Plano Safra voltadas à agricultura familiar, Jair consegue financiar a lavoura e adquirir os insumos no momento certo. Além disso, os recursos também possibilitaram investimentos na compra de um trator e de outros equipamentos que transformaram a rotina da propriedade.

“Com esse recurso na mão, nós conseguimos comprar os insumos à vista. Comprando à vista, o preço sai mais barato e o custo da lavoura diminui”, explica.

A mudança aparece em detalhes que fazem diferença para quem passa o ano inteiro trabalhando na terra. Um serviço que antes levava cerca de três horas para ser realizado em um hectare hoje é concluído em aproximadamente duas. O produtor também olha para trás e compara os equipamentos que tinha no início com os que utiliza atualmente.

“Quando comecei no arroz, eu tinha um tratorzinho de 55 cavalos para cuidar de 5 hectares e trabalhava de sol a sol. Hoje, cuido de 12 hectares com um trator de 115 cavalos. O preparo da terra que antes levava meses, hoje a gente faz muito mais rápido”, conta.

Não se trata apenas de produzir mais. Trata-se de conseguir trabalhar melhor.

Na propriedade, até a água ajuda a contar essa história. A irrigação da lavoura acontece de forma natural, com a água chegando por gravidade, sem a necessidade de bombeamento elétrico ou a diesel. É um exemplo de como as características do território, o conhecimento de quem produz e o uso adequado dos recursos caminham juntos na construção de uma agricultura cada vez mais eficiente.

Enquanto Jair encontrou no crédito uma forma de ampliar a capacidade de investimento e ganhar eficiência, no Rio Grande do Sul, Marlon Padilha Descovi, agricultor e associado à Cresol Jacutinga desde 2012, também foi construindo sua trajetória a partir de diferentes culturas e investimentos.

Na propriedade, a família trabalha com arroz, soja e fumo. Entre elas, o arroz ocupa um espaço especial por representar uma produção considerada mais segura e capaz de oferecer maior previsibilidade de colheita.

Por meio das linhas de custeio e investimento do Pronaf, disponibilizadas dentro do Plano Safra, Marlon investiu no preparo do solo, na aquisição de sementes e adubos de qualidade, na armazenagem de grãos e na compra de máquinas e equipamentos, como tratores, plantadeiras e colheitadeiras.

“Conseguimos investir melhor nas tecnologias de preparo do solo para o cultivo, adquirir sementes e adubos de boa qualidade e também fazer investimentos em armazenagem de grãos e na compra de maquinários, que nos possibilitam ter um melhor controle e uma melhor forma de trabalhar na cultura do arroz”, relata.

Na prática, o resultado desses investimentos aparece no dia a dia. Menos trabalho braçal, mais agilidade e redução de custos operacionais são algumas das mudanças percebidas pelo agricultor. O melhor preparo e nivelamento do terreno também contribuem para o uso mais eficiente da água na lavoura. E, quando uma enchente provocou erosões e prejuízos na propriedade, o acesso ao crédito possibilitou ainda a compra de uma escavadeira hidráulica utilizada na recuperação das áreas atingidas.

As histórias de Jair e Marlon são diferentes, mas carregam algo em comum: no campo, tecnologia não significa apenas aumentar a produção. Muitas vezes, significa ganhar tempo, reduzir custos, melhorar a qualidade do trabalho, cuidar melhor da terra e ter mais condições de enfrentar os imprevistos que aparecem pelo caminho.

É esse processo de evolução que o gerente Agro da Cresol Treze de Maio, Marcos Gonçalves Maciel, acompanha de perto. Na região Sul de Santa Catarina, marcada pela presença da agricultura familiar, ele destaca que o arroz é uma cultura que exige investimento constante em máquinas e tecnologia. Segundo Marcos, o acesso ao crédito por meio do Plano Safra permite que os produtores invistam em inovação e alcancem produtividades cada vez maiores, chegando, em algumas propriedades, a superar 200 sacas por hectare.

No Rio Grande do Sul, o presidente da Cresol Jacutinga, Darlan Luís Lodéa, ressalta que a força do arroz também ultrapassa os limites das propriedades. A cultura movimenta fornecedores de insumos, comércio, armazenagem e beneficiamento, fazendo com que os resultados de uma safra tenham reflexos diretos nas comunidades e nos municípios onde a produção acontece.

Para ele, o Plano Safra é um instrumento estratégico para fortalecer a agricultura familiar, pois oferece condições para que os produtores tenham acesso ao custeio da lavoura e realizem investimentos em infraestrutura, irrigação, armazenagem e modernização das propriedades, contribuindo para o aumento da produtividade, da competitividade e da sustentabilidade no campo.

Mais do que financiar uma safra, o crédito rural representa a oportunidade de continuar evoluindo. Permite comprar melhor, trabalhar com mais eficiência, investir em tecnologia e planejar o futuro da propriedade com mais segurança.

Para Jair, esse apoio também está na forma como o agricultor é recebido e acompanhado. Mais do que o acesso aos recursos, ele valoriza o atendimento próximo e o respeito ao produtor durante todo o processo.

Para Marlon, a relação com a Cresol começou antes mesmo dos investimentos que vieram ao longo dos anos. Começou quando a cooperativa acreditou no potencial da família e abriu as portas para a propriedade.

“Não foi nós que escolhemos a Cresol para trabalhar com as linhas de crédito rural, foi a Cresol que nos escolheu. Foi a primeira cooperativa de crédito agrícola que abriu as portas para a nossa propriedade. Ali a gente teve um atendimento muito bom, muito transparente, uma conversa simples e com todas as explicações com clareza sobre financiamento, sobre possibilidades. Então a gente considera a Cresol como parte da nossa propriedade, a gente considera a Cresol como uma família.”

Série especial Plano Safra

Desde 2003, o Plano Safra é uma das principais políticas de incentivo ao desenvolvimento da agropecuária brasileira, oferecendo linhas de crédito para custeio, investimento e modernização das propriedades rurais.

Nesta série especial, a Cresol apresenta histórias de produtores que utilizam esses recursos para investir em tecnologia, ampliar a produção e fortalecer a sucessão familiar. A cada reportagem, uma atividade mostra como o cooperativismo contribui para o desenvolvimento do campo em diferentes regiões do Brasil.

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