PF prende 19 suspeitos em operação contra facção criminosa no Rio

Operação mira 23 investigados ligados ao Comando Vermelho e determina bloqueio de R$ 558 milhões em bens e valores.

19/10/2026 19H19

foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (19 de outubro), a Operação Backbone, para combater um esquema de exploração ilegal de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A ação tem como alvo integrantes de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho.

Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Até a última atualização divulgada pela Polícia Federal, 19 pessoas haviam sido presas.

A investigação aponta que a facção criminosa utilizava ameaças, violência e destruição de equipamentos para impedir a atuação de empresas concorrentes e obrigar moradores a contratar serviços de internet controlados pelo grupo.

Criminosos controlavam internet em comunidades

Segundo as investigações, o esquema funcionava principalmente nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro.

Integrantes armados da organização criminosa cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e impediam reparos nas redes de empresas concorrentes.

Com isso, moradores e comerciantes ficavam sem alternativas e eram obrigados a contratar os serviços impostos pela facção.

A Polícia Federal identificou que, em apenas um mês, a exploração ilegal da internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha.

Justiça determina bloqueio de R$ 558 milhões

Além das prisões, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 558 milhões.

A medida atinge 40 pessoas físicas e 42 empresas suspeitas de participação no esquema.

As investigações apontam que o dinheiro obtido ilegalmente era movimentado por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos.

Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Empresas poderão perder autorização para funcionar

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será acionada para cancelar autorizações e interromper as atividades das empresas envolvidas, adotando medidas para garantir que os moradores não fiquem sem acesso à internet.

Os investigados poderão responder por extorsão, lavagem de dinheiro, interrupção de serviços de telecomunicações e outros crimes relacionados ao controle territorial exercido pela organização criminosa.

A operação integra as ações federais de enfrentamento ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro.


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