Osmar Terra não desiste: agora, ele ronda militares para substituir Teich

Ex-ministro tem feito discurso contrário ao isolamento social para agradar Bolsonaro e tentar emplacar no Ministério da Saúde

14/05/2020 18H22

O deputado federal Osmar Terra (MDB) defende o fim do isolamento social Marcos Corrêa/PR

Por Mariana Zylberkan-Veja

O deputado federal Osmar Terra (MDB) não desiste do sonho de assumir o Ministério da Saúde e tem se aproximado da ala militar do governo para se projetar como postulante ao cargo ocupado por Nelson Teich, em baixa com o presidente Jair Bolsonaro.

Dessa vez, porém, Terra tem tido apoio dos militares tanto da cúpula do governo como os que passaram a ocupar cargos estratégicos no Ministério da Saúde, entre eles, o general Eduardo Pazuello, secretário-executivo. O nome de Terra chegou a ser cogitado para substituir o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, mas o presidente preferiu um nome aprovado pelas entidades médicas. Terra foi ministro da Cidadania no início do governo Bolsonaro e substituído por Onyx Lorenzoni em fevereiro deste ano.

Nesta quarta-feira, 13, Teich cancelou entrevista coletiva em que anunciaria diretrizes para atribuir aos estados a decisão de relaxar a quarentena, com base em cálculos que levam em conta números de casos confirmados e leitos de UTIs disponíveis, entre outros dados. Para publicar a portaria com as determinações, Teich precisa do apoio de secretários de saúde estaduais e municipais, que são a favor do isolamento social. Esse parâmetro técnico foi uma promessa de Teich a Bolsonaro pouco antes da nomeação. A demora de Teich em formalizar esses critérios têm irritado Bolsonaro, que publicou recentemente decreto tornando salões de beleza, barbearias e academias como atividades essenciais — portanto, liberadas para funcionar durante a quarentena. Teich soube do decreto pela imprensa. A maior parte dos governadores sinalizou que não irá seguir a determinação. 

A principal bandeira de Terra é a flexibilização do isolamento social, defendida por Bolsonaro e motivo de queda de braço do presidente com governadores que têm estendido a quarentena reiteradamente nos estados. A resistência em permitir a retomada as atividades não essenciais culminou na demissão de Mandetta, substituído por Teich.