O significado e a extensão da palavra "Gratidão"

São Tomás de Aquino, em seu Tratado sobre Gratidão nos brinda com o verdadeiro significado de gratidão. Esse Tratado tem três níveis de gratidão: um nível superficial, um nível intermédio e um nível mais profundo.

10/10/2020 22H15

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR 

iraja@prof.unipar.br


São Lucas Evangelista, nasceu em Antioquia da Síria. Pertencia a uma família culta e abastada. Tinha talento para a pintura e exercia a profissão de médico. Foi convertido pelo Apóstolo São Paulo do qual se tornou inseparável e fiel companheiro de missão. Ambos fizeram várias viagens apostólicas, tornando-se um dos primeiros missionários do mundo greco-romano. Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária. Do Evangelho segundo Lucas, extrai-se a seguinte passagem: “Cristo curou os dez leprosos de sua doença; só um voltou para agradecer a Deus a saúde recebida; Cristo perguntou: Onde estão os outros nove?”.

São Tomás de Aquino, em seu Tratado sobre Gratidão nos brinda com o verdadeiro significado de gratidão. Esse Tratado tem três níveis de gratidão: um nível superficial, um nível intermédio e um nível mais profundo.

Antonio Nóvoa, parafraseando Tomás de Aquino diz: “O nível superficial é o nível do reconhecimento, do reconhecimento intelectual, do nível cerebral, do nível cognitivo do reconhecimento. O segundo nível é o nível do agradecimento, do dar graças a alguém por aquilo que esse alguém fez por nós. E o terceiro nível mais profundo do agradecimento é o nível do vínculo, é o nível do sentirmos vinculados e comprometidos com essas pessoas. Prossegue na sua explicação dizendo que descobriu uma coisa na qual nunca tinha pensado, que em inglês ou em alemão se agradece no nível mais superficial da gratidão. Quando se diz ‘thank you’ ou quando se diz ‘zu danken’ estamos a agradecer no plano intelectual. Descobriu também, que na maior parte das outras línguas europeias, quando se agradece, agradece-se no nível intermediário da gratidão. Quando se diz ‘merci’ em francês, quer dizer dar uma mercê, dar uma graça. Eu dou-lhe uma mercê, estou-lhe grato, dou-lhe uma mercê por aquilo que me trouxe, por aquilo que me deu. Ou ‘gracias’ em espanhol, ou ‘grazie’ em italiano. Dou-lhe uma graça por aquilo que me deu e é nesse sentido que eu lhe agradeço, e é nesse sentido que eu lhe estou grato. Continua Antonio Nóvoa, só em português, que eu saiba, é que se agradece com o terceiro nível, o terceiro nível, o nível mais profundo do Tratado da gratidão. Nós dizemos Obrigado. E obrigado quer dizer isso mesmo. Fico-vos obrigado. Fico obrigado perante vós. Fico vinculado perante vós. Fico-vos comprometido a um diálogo”.

No dia a dia custa pouco ser agradecido e, no entanto, quanto se estima a gratidão! A gorjeta que você deixa sobre a mesa do restaurante, sem dizer palavra, teria mais sentido se você acrescentasse uma única palavrinha, tão fácil de pronunciar: “Obrigado!” Esse pouco dinheiro, que você deposita na mão daquele que lhe engraxa os sapatos, seria recebido com maior alegria se o acompanhasse de uma palavra que fizesse com que esse homem humilhado a seus pés reconhecesse que seu trabalho é dignificante e que por isso você lhe é muito grato. Essa carta que você recebe, essa verdura que compra, esse telefonema a que atende, esse serviço que o funcionário público lhe presta, essa informação que lhe dão na estação rodoviária ou no metrô... tudo isto e muitas outras coisas, se forem salpicadas com a palavrinha “Obrigado!” e com um amável sorriso, sincero, caloroso, certamente chegariam até o coração dos demais e os tornariam mais abertos, mais dispostos para a ajuda do próximo mais solícitos.

São Lucas nos ensina: “Se todos os dias você dissesse “Obrigado!” a Deus por ter-lhe dado um novo dia e por fazê-lo gozar de saúde e de tantas outras coisas, a vida de seu espírito seria mais intensa e você a viveria com outra visão das coisas”.