O HOMEM MODERNO PREFERE COMPRAR PELA WEB: O QUE SERÁ DAS LOJAS DE DEPARTAMENTO E SHOPPINGS?

A notícia do fechamento de parte das grandes lojas de departamento dos Estados Unidos assustou os empresários do Brasil.

28/02/2020 16H28

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR 

iraja@prof.unipar.br

Charles Spencer Chaplin (1889 – 1977), nascido na Inglaterra, foi pensador, ator, diretor, compositor, roteirista, produtor e editor britânico. Foi um dos atores da época do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. Foi um dos “pais do cinema” mundial. Carlitos, como era conhecido no Brasil, foi também um talentoso jogador de xadrez. No período mais conturbado da história da humanidade (1915 a 1955), período de guerras mundiais, levou entretenimento, prazer e alívio a milhares de pessoas quando elas mais precisavam, desafiando o perigo de ser preso ou morto, por desafiar o regime ditatorial imposto na época. Por esta razão, não foi apenas ‘grande’, ele foi gigantesco. É dele a frase: criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

A notícia do fechamento de parte das grandes lojas de departamento dos Estados Unidos assustou os empresários do Brasil. Templos do consumo como a Sears, Payless, Forever 21, Gap e, mais recentemente, a Macy’s tiveram que reestruturar suas formas de administração (cortar custos, demitir funcionários e fechar lojas, principalmente as dos shoppings), para poder se manter no mercado. O motivo é simples: os consumidores preferem comprar pela Web. Economistas e estudiosos do mercado afirmam que os números ruins do comércio fora do admirável mundo da internet são de fato assustadores – e apontam para uma profunda chacoalhada no modo de comprar.

Os millennials fatia da população nascida entre os anos 1980 e 2000, hoje um terço dos americanos, chegaram à idade adulta com dinheiro no bolso, e, imersos na internet, onde cultivam com cada vez mais intensidade o hábito de comprar – esse negócio já representa 35% do varejo americano. Resultado: um tsunami de alta potência tem varrido do mercado as lojas físicas (esse é o termo), como por exemplo, a tradicional Macy’s.

O pesquisador Ernesto Neves informa que só em 2019, quase 10.000 lojas físicas sucumbiram nos Estados Unidos e, segundo um relatório do banco UBS, mais de 75.000 lojas vão desaparecer até 2026. Enquanto isso, o comércio on-line segue a toda: uma família americana já gasta, em média, 5.200 dólares ao ano em compras virtuais – 50% mais do que compravam em 2012, um crescimento impulsionado pelo furacão Amazon. E essa é claramente uma trilha sem volta. Pesquisas elaboradas por economistas da Fundação Getúlio Vargas mostram que quem não conseguir se adaptar a essa realidade não ficará de pé nesta nova era.

A grande preocupação é o desemprego mundial. Junto com o fechamento das lojas físicas ocorre, também, a demissão em massa. Será que essas pessoas voltam para o mercado formal de trabalho? Infelizmente apenas 20% dos trabalhadores demitidos voltam a ter emprego com carteira assinada. Triste realidade para os americanos, e, também, para os brasileiros, pois essa onda chegará cedo ou tarde a países como o Brasil.

As compras on-line ainda representam apenas 4% do varejo brasileiro, mas avançam rapidamente, a uma velocidade de 20% ao ano, informa economistas da FGV. Soma-se a esse fato o nível de desemprego e recessão que atinge o país há mais de 4 anos e teremos uma combinação bombástica de aumento do desemprego e das pessoas que passarão a viver com renda per capta abaixo da linha da pobreza. É preciso, rapidamente, nos adequarmos aos novos hábitos de consumo protagonizados pelos millennials.

Para Carlitos mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A evolução tecnológica é inexorável, todavia é preciso olhar para o desenvolvimento cultural e econômico mundial com vistas á perpetuação da espécie humana, pois, ensina Charles Chaplin que a ambição envenena a alma dos homens, ergue um muro de ódio ao redor do mundo e nos atira dentro da miséria e também do ódio.