Museu recupera negativos fotográficos de vidro perdidos em incêndio
Itens preservados pela Biblioteca Nacional devolvem memória histórica
foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Um importante capítulo da história científica e cultural do Brasil acaba de ganhar um novo marco. Negativos fotográficos em vidro preservados pela Fundação Biblioteca Nacional retornaram oficialmente ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, após mais de um século sob guarda da instituição.
As imagens históricas foram utilizadas pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto em uma conferência realizada na Biblioteca Nacional em 1913 e posteriormente reproduzidas nos anais da instituição. Desde então, permaneceram preservadas como material de apoio científico e documental.
Ao todo, o conjunto devolvido inclui oito negativos fotográficos em vidro e uma lanterna slide, retratando culturas indígenas, elementos da fauna brasileira e registros ligados às pesquisas científicas da época. As chapas funcionavam como matrizes para produção de fotografias positivas em papel — uma tecnologia pioneira no início do século XX.
Entre os materiais recuperados estão registros históricos como:
- “Desenhos simbólicos dos índios Bakairis”
- “Zoolito dos Sambaquis de Santa Catarina”
- “Índios Mauhá”
- “Maloca dos índios Curutús do Rio Negro”
- “K. von den Steinen e seus companheiros da Expedição Alemã de 1884”
- “Cabeça do último índio Cambeba”
- além de imagens de espécies animais e artefatos científicos.
Os itens passam agora a integrar a coleção da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional/UFRJ, reforçando os esforços de reconstrução do acervo após o devastador incêndio que atingiu o museu em 2018 e destruiu milhares de peças históricas.
Para o diretor do Museu Nacional/UFRJ, Ronaldo Fernandes, o retorno das peças simboliza a força da cooperação entre instituições brasileiras na preservação da memória científica nacional.
“A incorporação dos negativos em vidro ao acervo do Museu Nacional simboliza a força dessa cooperação e o compromisso compartilhado com a preservação de um patrimônio de enorme relevância histórica, científica e cultural para o Brasil”, afirmou.
A mediação para a devolução foi conduzida pelo chefe da Seção de Memória e Arquivo do Semear, Jorge Dias, que recebeu informações sobre a existência dos materiais na Biblioteca Nacional. A identificação e análise técnica envolveram historiadores, conservadores e especialistas em restauração.
Segundo Jorge Dias, os negativos representam muito mais do que imagens antigas.
“Cada negativo preservado nesses vidros carrega não apenas registros visuais, mas também memórias de pesquisa, de encontros interculturais e de práticas acadêmicas que ajudaram a construir a trajetória da ciência no Brasil”, destacou.
O retorno das peças é considerado um símbolo da reconstrução da memória nacional e um reforço para futuras pesquisas científicas e históricas no país.
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