Ministros do STF reagem à indicação de Bia Kicis para presidência da CCJ, e líderes trabalham por troca

Deputada, uma das mais fiéis a Bolsonaro, já pediu impeachment dos ministros do Supremo Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

04/02/2021 13H39

Bia Kicis e Bolsonaro, em julho de 2020. — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a integrantes do governo Bolsonaro a indicação, pelo PSL, do nome da deputada Bia Kicis (DF) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Na avaliação de ministros ouvidos pelo blog, a indicação, se confirmada, “desmoralizaria” os trabalhos da comissão que cuida justamente da legalidade de propostas, como emendas constitucionais.

Esses ministros afirmam que a interlocução da CCJ com o Judiciário ficaria inviabilizada caso Bia Kicis venha a comandar a comissão.

Segundo o blog apurou, após as reações, ministros do STF receberam sinais de que líderes buscam uma solução para evitar Bia no comando da CCJ. Eles têm ouvido que a indicação só ocorrerá após o carnaval, o que daria tempo de buscar uma alternativa.

A deputada já defendeu o impeachment de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além de ter uma postura negacionista sobre a pandemia.

Nome alternativo

Líderes governistas relataram ao blog que passaram a trabalhar por uma solução: um nome alternativo. Como o blog mostrou ontem, aliados do próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), avaliam que a indicação foi desastrosa e defendem um novo nome do PSL, como o deputado Marcelo Freitas (PSL-MG).

Nas conversas com ministros do STF, governistas tentam afastar a ideia de que Bolsonaro apoia Bia na CCJ, e lembram que Bolsonaro tirou a deputada da vice-liderança do governo quando ela votou contra o Fundeb.

Ministros do STF, no entanto, veem patrocínio do governo na escolha da deputada, já que ela é uma das mais fiéis ao Palácio do Planalto.

Na quarta-feira (3), Lira disse ao blog que quem indica presidente de comissão é líder de partido e que é preciso respeitar a proporcionalidade.