Mercado reduz expectativa para a Selic em 2026 pela primeira vez desde março, aponta Boletim Focus

Analistas também revisam para baixo as projeções de inflação, enquanto Banco Central se prepara para nova decisão sobre os juros

03/08/2026 13H00

foto: Marcello Casal Jr

O mercado financeiro reduziu, pela primeira vez desde março, a expectativa para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. A mudança foi divulgada nesta segunda-feira (3) no Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central que reúne as projeções de mais de uma centena de instituições financeiras.

A nova estimativa indica que a Selic deve encerrar 2026 em 13,75% ao ano, ante a previsão anterior de 14%. É a primeira revisão para baixo em cerca de cinco meses, refletindo a percepção de que o ciclo de redução dos juros poderá ganhar força caso a inflação continue desacelerando.

Inflação também perde força

Além da queda na expectativa para a Selic, o mercado voltou a reduzir as projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O movimento reforça a avaliação de que a política monetária restritiva adotada pelo Banco Central vem contribuindo para conter a alta dos preços.

Apesar da melhora nas projeções, os índices ainda permanecem acima da meta oficial de inflação, o que mantém a autoridade monetária em posição de cautela.

Copom decide juros nesta semana

As novas projeções chegam às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 4 e 5 de agosto. A expectativa predominante entre economistas é de que o Banco Central reduza novamente a Selic em 0,25 ponto percentual, passando dos atuais 14,25% para 14% ao ano.

Caso a expectativa se confirme, será o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026.

O que muda para consumidores e empresas

A trajetória de queda da Selic tende a beneficiar a economia ao reduzir o custo do crédito e estimular investimentos e consumo. Juros menores costumam favorecer financiamentos imobiliários, empréstimos, aquisição de veículos e investimentos produtivos.

Por outro lado, aplicações de renda fixa atreladas à taxa básica podem apresentar rentabilidade menor ao longo do tempo.

Especialistas, entretanto, alertam que o ritmo de novos cortes dependerá da evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário fiscal brasileiro nos próximos meses.

Mercado segue otimista, mas cauteloso

A redução das expectativas para a Selic representa um sinal de maior confiança na desaceleração da inflação, embora o mercado ainda veja necessidade de uma política monetária prudente diante das incertezas econômicas e fiscais.

As próximas decisões do Banco Central continuarão sendo acompanhadas de perto por investidores, empresários e consumidores, já que influenciam diretamente o custo do crédito e o desempenho da economia brasileira.


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