Longevidade saudável é a nova tendência na área da estética

Especialista fala sobre mudança de comportamento da sociedade, que agora troca excessos por discrição; congressos em Foz do Iguaçu nos dias 11 e 12/09 debatem o tema

08/09/2026 11H30

Foto: reprodução/assessoria

A busca por traços perfeitos está dando lugar a um novo momento global: o rejuvenescimento consciente ou a reversão de procedimentos estéticos. O movimento, que começou no exterior impulsionado por celebridades, já chegou ao Brasil e ao Paraná. 

É o que garante a biomédica Karla Malachoski, especialista em biomedicina estética e mestre em Biotecnologia. Segundo ela, durante anos ocorreu uma grande valorização de intervenções que modificavam as características individuais, especialmente no rosto. Na atualidade, ela observa uma atitude diferente: o paciente continua procurando o setor, mas quer que o resultado seja cada vez menos perceptível como algo "realizado". 

Na percepção da especialista — que integra as comissões de ética e de estética do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) -, é cada vez maior a procura pela naturalidade, pela preservação dos traços pessoais e pela qualidade da pele. 

“Muitos pacientes desejam corrigir ou reverter excessos feitos anteriormente. A estética está deixando de ser associada à transformação para assumir um papel de cuidado, prevenção e envelhecimento saudável. Naturalidade passou a ser sinônimo de sofisticação”, enfatiza a biomédica. 

Mudança comportamental  

Karla observa que existe um grande salto conceitual quando se compara a busca pelo rejuvenescimento a qualquer custo e a longevidade saudável. 

O rejuvenescimento desenfreado parte da ideia de que envelhecer é algo que precisa ser combatido ou escondido. Já a longevidade saudável entende a maturação como um processo natural e procura fazer com que ela aconteça da melhor maneira possível. 

Na saúde estética, argumenta, longevidade significa preservar identidade, função, proporções e qualidade tecidual. “Não precisamos buscar um rosto de 30 anos em uma pessoa de 60. Precisamos olhar para aquele ser humano e pensar em como podemos ajudá-lo a envelhecer bem, respeitando sua anatomia, sua experiência de vida e sua história.” 

“É por isso que, atualmente, a biomedicina fala mais em saúde da pele, estímulo de colágeno, regeneração tecidual, prevenção e tratamentos personalizados do que simplesmente em adicionar volume ou apagar as marcas do tempo”, explica. 

A personalização no atendimento é um dos pontos-chave no cenário atual, uma vez que duas pessoas com 40 anos podem ter necessidades completamente diferentes. 

Assim, argumenta a biomédica esteta, além de todo conhecimento científico e técnico, o profissional precisa saber ouvir e compreender o paciente, auxiliando com orientações na tomada de decisões. 

“Não podemos ignorar a influência social. Redes sociais, filtros, inteligência artificial e padrões estéticos digitais criaram uma exposição intensa à própria imagem. Isso pode levar pessoas cada vez mais jovens a procurar intervenções sem uma indicação real”, complementa. 

Mercado em expansão

Dados do Sebrae indicam que o setor de estética e cuidados pessoais movimentou R$ 242,3 bilhões no Brasil em 2025, crescendo 11,2% em um ano. Já o segmento de franquias de Saúde, Beleza e Bem-Estar movimentou R$ 74,3 bilhões no mesmo período, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). 

Do ponto de vista da especialista, esse avanço expressivo demonstra que beleza, autocuidado e bem-estar passaram a ocupar um espaço relevante na vida da população, ao mesmo tempo que o setor caminha para um momento de maior maturidade. 

“Para os biomédicos, especialmente no Paraná, isso significa ampliação das oportunidades, mas também aumento da responsabilidade. Quanto maior o segmento, maior a necessidade de profissionais tecnicamente preparados, éticos e comprometidos com a segurança”, destaca. 

Segundo ela, o diferencial do profissional não está mais em oferecer um serviço isolado, porque tecnologias e produtos estão cada vez mais acessíveis. “O diferencial está na formação, no raciocínio clínico, na capacidade de avaliar corretamente, na personalização do tratamento e na entrega de resultados seguros e naturais. Vejo essa expansão de maneira muito positiva, desde que venha acompanhada de atualização e qualificação profissional”, observa. 

Atenta às questões éticas que envolvem a área, Karla Malachoski é enfática ao dizer que não basta abrir uma clínica ou oferecer um protocolo que está em alta. “O paciente está mais informado, existe maior concorrência e o mercado começa a selecionar negócios que conseguem unir gestão, segurança, experiência do cliente, qualificação técnica e resultados consistentes”, pontua. 

Fortalecimento do setor

Nos dias 11 e 12 de setembro, Foz do Iguaçu receberá simultaneamente o I Congresso Paranaense de Biomedicina Estética e o III Congresso Acadêmico de Biomedicina, no Recanto Cataratas Resort Convention. O evento vai reunir profissionais, acadêmicos, pesquisadores e especialistas. A realização é da Associação dos Biomédicos do Paraná, com apoio do CRBM6 e do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). 

A programação terá mais de 30 horas de conteúdo e envolve atualização científica, novas tecnologias, produção acadêmica e diferentes temas da Biomedicina. Na estética, haverá minicursos práticos, incluindo Perfiloplastia com Live Injection e Toxina Botulínica + Preenchedores, além de palestras e discussões voltadas às tendências e à inovação da área. 

O encontro representa um espaço de integração entre ciência, prática profissional, formação acadêmica e valorização da categoria. Cerca de 58 mil biomédicos atuam na área da estética no Brasil. No Paraná, são 3833 profissionais devidamente registrados e fiscalizados pelo CRBM6. 


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