Justiça afasta vereador Danilo Dominico do cargo por 90 dias em Guarapuava

Decisão judicial atende pedido do Ministério Público e determina afastamento imediato do parlamentar enquanto avançam as investigações da Operação Terra Prometida

24/06/2026 18H50

A Justiça determinou nesta quarta-feira (24) o afastamento cautelar do vereador Danilo Dominico (PP) do exercício do mandato na Câmara Municipal de Guarapuava pelo prazo inicial de 90 dias. A medida atende a um pedido formulado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) no âmbito das investigações da Operação Terra Prometida, que apura supostas irregularidades envolvendo programas habitacionais e a destinação de terrenos públicos no município.

De acordo com a decisão, o afastamento tem caráter preventivo e busca resguardar a ordem pública, evitar possíveis interferências na produção de provas e garantir o andamento das investigações. A magistrada responsável pelo caso entendeu que, neste momento, a permanência do vereador no cargo poderia representar riscos à instrução criminal.

As investigações tiveram origem em fatos ocorridos quando Danilo Dominico ocupava a Secretaria Municipal de Habitação. Segundo o Ministério Público, há indícios da existência de um esquema envolvendo suposta comercialização irregular de terrenos públicos, cobrança indevida de valores para acesso a lotes habitacionais e utilização da estrutura administrativa para beneficiar negociações consideradas ilegais.

A denúncia apresentada pelo MPPR também envolve outros investigados e aponta, em tese, possíveis crimes de corrupção passiva, estelionato, lavagem de dinheiro e promoção de loteamento irregular. Conforme a acusação, algumas negociações teriam movimentado valores elevados e causado prejuízos a pessoas que acreditavam estar adquirindo imóveis de forma regular.

Defesa contesta acusações

A defesa do vereador reagiu à decisão e sustenta que as acusações são inconsistentes e baseadas em versões contraditórias. Os advogados afirmam que não existe relação entre os fatos investigados e o atual mandato parlamentar, além de alegarem que o vereador colaborou com as investigações desde o início do processo.

Segundo a defesa, as movimentações financeiras mencionadas pelo Ministério Público ocorreram após a saída de Dominico da Secretaria de Habitação e não haveria elementos concretos que justificassem o afastamento cautelar antes de eventual julgamento definitivo.

Repercussão política

A decisão provoca forte impacto no cenário político de Guarapuava e amplia a pressão sobre a Câmara Municipal. O caso ganhou grande repercussão após a divulgação da denúncia e agora entra em uma nova fase com a determinação judicial de afastamento.

Apesar da medida, o afastamento não representa condenação. O processo seguirá sua tramitação normal, garantindo aos investigados o direito à ampla defesa e ao contraditório. Caberá à Justiça analisar as provas apresentadas pelas partes e decidir sobre os próximos passos da ação penal.

Enquanto isso, o município acompanha atentamente os desdobramentos de um dos casos políticos mais relevantes de 2026 na região Centro-Sul do Paraná.



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