Hipertensão atinge 28% de crianças e adolescentes e acende alerta no Brasil

Pesquisa com mais de 6 mil estudantes revela números preocupantes sobre pressão alta, obesidade, sedentarismo e excesso de tempo diante das telas.

20/10/2026 13H30

Marcelo Leal/Unsplash

A hipertensão arterial, geralmente associada aos adultos e idosos, também está atingindo crianças e adolescentes. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), divulgado nesta terça-feira (20 de outubro), identificou pressão alta em 28,3% dos participantes de até 18 anos.

O estudo Brasil Coração Saudável também apontou que 11,6% dos estudantes apresentaram pré-hipertensão, condição que exige atenção e acompanhamento para evitar problemas futuros.

A pesquisa foi realizada entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026, com 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os resultados se referem ao grupo pesquisado e não representam necessariamente todas as crianças brasileiras.

Obesidade aumenta risco de pressão alta

Um dos dados mais preocupantes é a relação entre excesso de peso e hipertensão.

Segundo o levantamento, 19,5% dos participantes apresentaram sobrepeso e 13,6% foram classificados com obesidade.

Entre os estudantes com obesidade, a proporção de hipertensão chegou a 48,4%. Nos adolescentes obesos de 15 a 18 anos, o índice alcançou 60,5%.

A pesquisa também identificou maior frequência de pressão alta entre meninos de 15 a 18 anos, com 40,7%, e entre meninos menores de 7 anos, com 39,1%.

Excesso de telas e pouca atividade física preocupam

Outro fator destacado pelos pesquisadores é o comportamento sedentário.

59%

Passam mais de três horas por dia diante de telas.

66%

Praticam apenas uma a duas horas de atividade física por semana.

O celular aparece como o dispositivo mais utilizado, citado por 86% dos participantes, seguido pela televisão, com 80%.

Para o cardiologista Álvaro Avezum, coordenador do projeto Coração Saudável, a combinação de alimentação inadequada, pouca atividade física e aumento do estresse contribui para elevar os riscos cardiovasculares desde a infância.

Prevenção deve começar na infância

A hipertensão pode se desenvolver sem apresentar sintomas evidentes, tornando importante o acompanhamento regular da saúde de crianças e adolescentes.

Especialistas recomendam estimular atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo excessivo de sal e alimentos ultraprocessados e incentivar hábitos saudáveis desde cedo.

A aferição da pressão arterial também deve fazer parte do acompanhamento pediátrico, especialmente em crianças com excesso de peso ou histórico familiar da doença.

Quando a pressão aparece elevada, são necessárias avaliações adequadas e, geralmente, medições repetidas para confirmar o diagnóstico.

Os resultados reforçam a necessidade de atenção das famílias, escolas e profissionais de saúde para prevenir doenças cardiovasculares que podem comprometer a qualidade de vida na idade adulta.


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