Filhote de onça-parda é resgatada desnutrida no Paraná e recebe atendimento emergencial

Felina de apenas três a quatro meses foi encontrada nas proximidades de um posto de combustíveis em Luiziana; após atendimento em Campo Mourão, animal foi levado para Londrina e deverá retornar à natureza

21/08/2026 18H50

foto: Ana Luisa Mello

Um filhote fêmea de onça-parda (Puma concolor), com idade estimada entre três e quatro meses, mobilizou equipes de proteção ambiental no Paraná após ser encontrado em situação de vulnerabilidade. O animal foi resgatado na noite desta quinta-feira (20), nas proximidades de um posto de combustíveis, em Luiziana, na região de Campo Mourão.

Pesando aproximadamente seis quilos, a pequena onça apresentava sinais de desnutrição e desidratação. Após o resgate realizado pela Polícia Ambiental do Paraná, o animal foi encaminhado para atendimento emergencial na Clínica Veterinária do Centro Universitário Integrado, em Campo Mourão.



Onça chegou assustada, mas sem ferimentos

O resgate ocorreu durante a noite e contou com orientação de servidor do Instituto Água e Terra (IAT), responsável pela captura e manejo de animais silvestres.

Segundo a médica veterinária do Integrado e especialista em animais selvagens, Emilaine Bonete, apesar das condições em que foi encontrada, a felina não apresentava lesões visíveis.

“O mamífero chegou à clínica bastante assustado, mas sem ferimentos aparentes”, explicou.

A unidade possui estrutura e profissionais especializados na reabilitação da fauna silvestre e mantém parceria com o IAT e a Polícia Ambiental para atendimentos envolvendo animais resgatados.

Filhote passou por exames

Para garantir a segurança dos profissionais e também do próprio animal, a onça-parda precisou ser sedada.

Na sequência, passou por uma série de procedimentos, incluindo avaliação física, coleta de sangue, ultrassonografia e radiografias.

Também foram realizados testes rápidos para doenças como Sida Felina (FIV), Leucemia Felina (FeLV) e Parvovirose. Todos apresentaram resultado negativo.

De acordo com o professor do curso de Medicina Veterinária do Integrado, Felipe Gava, ainda não é possível determinar exatamente o que aconteceu com o filhote.

“A principal suspeita é de que a felina tenha sido abandonada ou que a mãe tenha falecido recentemente”, explicou.

Filhote voltou a se alimentar

Após despertar da anestesia, a pequena onça apresentou reação positiva ao atendimento e voltou a se alimentar.

Com a recuperação inicial constatada pelos profissionais, nesta sexta-feira (21) o IAT realizou a transferência do animal para o Centro Universitário UniFil, em Londrina, onde continuará recebendo tratamento especializado.

O objetivo é preparar a felina para que possa retornar à natureza.

“Lá, será dada continuidade ao tratamento. Assim que ela estiver totalmente reabilitada e com os sinais vitais restabelecidos, o encaminhamento será para uma área de soltura devidamente cadastrada no Paraná, devolvendo esse animal ao seu habitat natural”, explicou Mateus Rodrigues Gozer, agente de execução técnica e manejo de meio ambiente do órgão estadual.

Encontrou animal silvestre? Não tente resgatar sozinho

O caso também serve de alerta para quem encontrar animais silvestres em áreas urbanas, propriedades ou rodovias. A principal orientação é não se aproximar e não tentar capturar o animal por conta própria.

No caso de filhotes, a mãe pode estar nas proximidades e interpretar a aproximação humana como uma ameaça.

Entre as principais recomendações estão:

• Manter distância e evitar movimentos bruscos;

• Não tocar ou tentar pegar o filhote;

• Não oferecer leite, água ou qualquer tipo de alimento;

• Observar o local de uma distância segura;

• Acionar os órgãos responsáveis pelo resgate da fauna silvestre.

“A orientação é evitar qualquer tentativa de resgate por conta própria e acionar imediatamente a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros (193) ou o IAT. Com esses cuidados, ajudamos a vida silvestre”, reforça Emilaine Bonete.

A expectativa agora é que a jovem onça responda ao tratamento e, após completar sua reabilitação, seja devolvida ao habitat natural em uma área de soltura cadastrada no Paraná.


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