Felicidade na Pós-Modernidade

A felicidade é a mais nobre das lutas! A felicidade é um fim a ser alcançado. Dispõe a Doutrina da Igreja Católica que o sentido da vida consiste na procura ininterrupta da felicidade. Mas afinal, o que é a felicidade?

31/12/2020 00H02

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR 

iraja@prof.unipar.br

Gleison do Prado de Oliveira

Contador no Paraná

Acadêmico do Curso de Direito da UNIPAR

Gleison.oliveira@edu.unipar.br


John Stuart Mill (1806 - 1873), foi um filósofo e economista britânico. É considerado o filósofo de língua inglesa mais influente do século XIX. É conhecido principalmente pelos seus trabalhos nos campos da filosofia política, ética, economia política e lógica, além de influenciar inúmeros pensadores e áreas do conhecimento. É sua a frase: “Aprendi a procurar a minha felicidade na limitação dos meus desejos – em vez de procurar a satisfação dos mesmos.” 

A felicidade é a mais nobre das lutas! A felicidade é um fim a ser alcançado. Dispõe a Doutrina da Igreja Católica que o sentido da vida consiste na procura ininterrupta da felicidade. Mas afinal, o que é a felicidade?

Ao longo da história da humanidade, muitas foram as tentativas de atribuir um conceito a este termo. Platão, na antiga Grécia, afirmou que a felicidade é o resultado da busca constante e ininterrupta pelo conhecimento em larga escala. Segundo ele, o conhecimento progressivo proporciona a bondade, logo, o homem bom é necessariamente um homem feliz. O estagirita (cidadão de Estagira - Macedônia) Aristóteles, aparentemente, concentrado nas experiências sensoriais do mundo, proclamou a felicidade como fruto dos laços afetivos com a família e amigos, acompanhada de poder e riqueza. Cristo de Nazaré associou a felicidade ao amor pelo próximo. Baruch Espinosa, filosofo holandês do século XVII, afirmou que a felicidade surge no ganho de potência e de energia vital. Hoje, na imanência do ano de 2.021, a felicidade apresenta-se como resultado de uma condição financeira abastada, no potencial de compra e consumo. Em verdade, somos definidos por aquilo que consumimos.

Em decorrência deste equivoco, surgem no mercado diversos “mestres” que ensinam à sociedade “os segredos para triplicar o patrimônio em tempo recorde”, “as dez lições de como se dar bem no trabalho”, “os hábitos do homem de sucesso”, dentre inúmeras outras propostas que são apresentadas como fórmulas mágicas para alcançar uma vida feliz. Ora, as propostas milagrosas dos “gurus” do contexto atual não passam de mero cinismo e alienação. Um jeito fácil de ganhar dinheiro. Pura enganação!

A vida é um fenômeno complexo, e sua compreensão exige, acima de tudo, a capacidade de adaptar-se ao cenário que muda constantemente, numa velocidade quase imensurável. A felicidade sendo uma finalidade, oscila: ora somos felizes, ora somos infelizes. Portanto, aquilo que outrora nos alegrou, certamente, deixou de alegrar-nos em determinado momento. Na perspectiva do consumo, o iphone que há alguns meses foi causa da alegria de alguém, hoje é obsoleto frente ao novo lançamento da Apple e do concorrente que resiste em não ficar para trás. O “carro do ano”, foi substituído por um modelo mais novo e atual, sendo causa de desconforto aos olhos do proprietário que agora almeja suprir a lacuna do descontentamento com a felicidade na aquisição do novo modelo. Até mesmo a felicidade do apartamento tão sonhado, foi suprimida pelo prédio quase duas vezes maior, que fora construído ao lado. 

A felicidade no consumo consiste numa ambição sem fim. Por consequência, torna-se transitória, afinal, nesta concepção de felicidade, ama-se o objeto desejado, deseja-se o que não se tem, e quando tem, o mesmo deixa de ser amado (desejado). É um fenômeno parecido com o amor platônico, ou seja, o amor existente no desejo e na falta.

Grande lição apresentada por Nietzsche encontra-se em sua Gaia Ciência, aforismo 276: “Quero cada vez mais aprender a ver como belo, aquilo que é necessário nas coisas”. Talvez a felicidade esteja relacionada com a análise e contemplação dos detalhes que por muitas vezes não enxergamos por estarmos ocupados demais com os compromissos do cotidiano. O barulho da chuva sendo derramada dos céus quando escutado com a alma, alegra-nos o espírito. Na primavera, o florescer de uma planta encanta os olhares que observam atentos os mistérios da natureza. Coincidentemente, o corpo torna-se leve ao sentir o vento jubiloso que permeia o universo.

John Mill nos ensina acerca da felicidade, a seguinte práxis: “Em vez de preencher a sua vida com bens e coisas, Ele acreditava no utilitarismo. Acreditava que se deviam ter coisas que fossem úteis para alguma coisa. Se essas coisas não tivessem nenhum propósito ou utilidade, bania-as da sua vida”.

 Muito embora a felicidade não tenha uma definição absoluta, padronizada e universal, simplesmente por sua razão de ser (singular e irrepetível) em cada ser humano, ela é real e necessária. Assim, caros leitores e amigos, desejamos que vocês não se cansem de lutar por este objetivo nobre. A felicidade é, sem dúvidas, uma meta a ser perseguida, pois sem ela a vida não teria o mesmo vislumbre. Feliz Ano Novo!