Felicidade e Vida Coerente Versus Falta de Caráter

Nelson Mandela (1918 – 2013), advogado, político e lutador de boxe, filho de uma família de nobreza tribal, da etnia Xhosa, recebeu o nome de Rolihiahia Dalibhunga Mandela.

20/02/2020 17H39

Prof. Irajá

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior
Advogado no Paraná - Palestrante
Professor do Curso de Direito da UNIPAR
iraja@prof.unipar.br

Nelson Mandela (1918 – 2013), advogado, político e lutador de boxe, filho de uma família de nobreza tribal, da etnia Xhosa, recebeu o nome de Rolihiahia Dalibhunga Mandela. O prenome Nelson recebeu de uma professora do ginásio como era de costume na época. Entre os amigos e familiares era conhecido como Madiba. Foi presidente da África do Sul. Foi o líder do movimento contra o apartheid – legislação que segregava os negros no país. Por ser fiel aos seus princípios e valores, sofreu as consequências do regime autoritário dos “brancos ingleses” que queriam a sua cabeça. Condenado em 1964 à prisão perpétua, foi libertado em 1990, depois de grande pressão internacional. Recebeu o “Prêmio Nobel da Paz” em dezembro de 1993, por sua luta contra o regime de segregação racial. É dele a frase: “o ideal de uma sociedade democrática e livre é um ideal para cuja concretização espero viver. Mas se for necessário é ideal pelo qual estou disposto a morrer”.
Todos nós buscamos a felicidade, mas poucos são os que a atingem. É a meta máxima de nossa conduta. Para ser feliz é necessário que a vida tenha argumentos, seja coerente. E, também, que em seu seio abrigue uma série de elementos que se relacionem de forma congruente entre si, lutando para que não se produzam contradições, quero dizer, não ocorra a formação de um homem único, no qual se relacionem suas ideias e suas ações. Ou seja, que o indivíduo seja ético e tenha caráter em tudo o que faz.
Cada ser humano é insubstituível, cada um de nós é uma promessa de futuro. A felicidade consiste em encontrar um programa de vida que nos realize plenamente, motivando assim a nossa trajetória, sem, contudo, passar por cima do outro.
Diz Hojas, que quando sabemos que meta desejamos, o caminho se abre e as dificuldades são superadas. É então que entra a vontade, que deve ser mais forte que as adversidades. Assim, podem nos aprisionar, nos amordaçar, nos desviar de nosso caminho, mas nunca nos derrotar. Sintetizando: coragem, espírito de luta, garra, firmeza nos objetivos, consistência nas linhas principais do projeto especial (firmeza de caráter).


A felicidade nunca é o presente; é preciso conquista-la e trabalha-la com ilusão. Sempre, cedo ou tarde, temos que lutar contra a corrente, experimentando a sensação de fazer alguma coisa útil, valiosa: dessa forma, as lutas e os desvelos são justificados por nossos esforços. O esforço, a alegria, a coerência e a felicidade nutrem-se das mesmas raízes. Dizia Julián Marías que “a vida em seu conjunto tem tonalidade, através da qual a gente se sente bem ou mal... No primeiro caso é o que chamamos de felicidade”. Claro, essa felicidade deve ser entendida como o balanço, como exame e resultado final em um determinado momento vital. É preciso manter os velhos ideais, misturados às novas ilusões e aos pequenos objetivos, e de tudo isso surgirá um estilo próprio, uma forma peculiar de nos mostrarmos. Assim, se desfaz o rolo de todas as pretensões que circulam em nossa cabeça.


Mas não podemos confundir a felicidade com as fórmulas atuais, que para muitos são sucedâneas da autêntica felicidade: bem-estar, bom nível de vida, prazer, satisfação pessoal e ausência de problemas, êxito na profissão ou nos negócios ou em qualquer âmbito da vida. Mais ainda, muitos triunfadores, em seu foro íntimo, não são felizes (por falta de ética e caráter). Se rastrearmos esse fundo da felicidade, vamos chegar à fidelidade, quero dizer, lealdade aos princípios, perseverança nos ideais nobres, tenacidade em manter os critérios de conduta apesar das ondas e do vaivém das circunstâncias.
Mandela nos ensina que uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação, e, por conseguinte, a educação é a arma mais forte que se pode usar para mudar o mundo. Concluí o líder Africano ensinando, que sonha com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.


Assim, nas palavras de Hoja, se alinham, na felicidade verdadeira, a coerência, a vida como argumento, o esforço para que saia o melhor de dentro de nós e a fidelidade (o caráter e a ética). Cada ingrediente fixa e apoia o que para mim é a chave que alimenta a felicidade, qual seja, essa trilogia composta de amor, trabalho e cultura, e, o mais importante, ter uma personalidade com certo grau de amadurecimento e equilíbrio psicológico.

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