EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas e decisão gera alerta sobre soberania brasileira

Medida anunciada pelo governo Trump passa a valer em 5 de junho e pode impactar cooperação internacional no combate ao crime organizado

29/05/2026 12H31

imagem ilustrativa/IA

O governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente que irá classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida foi divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano e passa a valer a partir do dia 5 de junho.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e possuem atuação que ultrapassa as fronteiras nacionais, com influência em diversos países da América Latina e conexões internacionais ligadas ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

A decisão foi tomada com base na Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump. Além da classificação como organizações terroristas estrangeiras, os grupos também serão enquadrados como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, ampliando mecanismos de bloqueio financeiro, sanções e monitoramento internacional.

O governo brasileiro vinha tentando evitar a medida nos últimos meses. Autoridades demonstraram preocupação de que a classificação pudesse abrir precedentes para sanções econômicas, restrições financeiras e até interpretações que justificassem interferências externas em assuntos internos do Brasil.

Especialistas também alertam para possíveis impactos na cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países. Segundo avaliações citadas por analistas, a nova classificação pode alterar o nível de compartilhamento de informações sigilosas, centralizando dados em agências de inteligência norte-americanas e dificultando investigações conjuntas atualmente em andamento.
A decisão ocorre em meio ao endurecimento da política externa dos Estados Unidos para a América Latina, com o governo Trump defendendo ações mais rígidas contra o chamado “narcoterrorismo”. O anúncio também ganhou repercussão política após reuniões realizadas em Washington com o senador Flávio Bolsonaro, que manifestou apoio à medida.

A classificação coloca PCC e CV no mesmo grupo de organizações consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos, ampliando a pressão internacional sobre as facções e elevando o debate sobre segurança pública, soberania nacional e combate ao crime organizado transnacional.


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