Deputada eleita de 21 anos denuncia ameaças de morte e estupro durante campanha eleitoral

Ana Elisa Santos Silva, do PT, recebeu mais de 524 mil votos em Minas Gerais e precisará de escolta armada após ataques racistas e ameaças de violência sexual

08/10/2026 14H30

timeanaelisaalfenas1331/ Instagram

A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de apenas 21 anos, denunciou à Polícia Civil uma série de ameaças de morte e violência sexual recebidas durante a campanha eleitoral de 2026.

Eleita por Minas Gerais, a jovem relatou ter sido alvo de mensagens com conteúdo racista, machista e ameaças de estupro. A gravidade da situação levou o partido a contratar segurança armada para garantir sua proteção.

Segundo Ana Elisa, criminosos também divulgaram informações pessoais, incluindo endereço residencial, telefone e documentos.

Ameaças foram enviadas durante a campanha

Uma das mensagens denunciadas foi recebida em 5 de setembro. O autor do e-mail afirmava pertencer à Ku Klux Klan, organização supremacista branca conhecida por sua atuação racista nos Estados Unidos.

No conteúdo, o remetente fazia ameaças de violência sexual e manifestava intolerância à presença de mulheres negras em posições de poder.

A parlamentar eleita divulgou imagens das mensagens nas redes sociais e procurou as autoridades policiais.

Diante da situação, Ana Elisa informou que passará a contar com escolta de segurança em Minas Gerais.

Aos 21 anos, Ana Elisa fez história nas urnas

Apesar dos ataques, Ana Elisa conquistou uma votação expressiva nas eleições realizadas no último domingo, 4 de outubro.

Com mais de 524 mil votos, tornou-se a segunda candidata mais votada para deputada federal em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).

O resultado também garantiu à jovem dois marcos históricos: ela se tornou a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados na história de Minas Gerais e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.

Natural de Divinópolis, Ana Elisa é estudante de Direito e trabalhou como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.

Sua trajetória política ganhou destaque nas redes sociais, onde publica conteúdos sobre educação, direitos sociais, racismo e participação feminina na política.

Atualmente, reúne mais de três milhões de seguidores no Instagram.

Violência política contra mulheres preocupa autoridades

O caso ocorre em meio ao aumento das denúncias de violência política de gênero no Brasil.

Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral apontam que os registros desse tipo de violência cresceram 11 vezes entre 2022 e 2026.

No final de setembro, organizações da sociedade civil encaminharam ao TSE denúncias envolvendo ameaças, agressões verbais e episódios de violência contra candidatas.

A legislação brasileira prevê punições para atos de violência política contra mulheres, especialmente quando envolvem intimidação, discriminação e tentativas de impedir o exercício de direitos políticos.

O caso envolvendo Ana Elisa foi comunicado à Polícia Civil e deverá ser investigado para identificar os responsáveis pelas ameaças.

Mulheres vítimas de violência também podem buscar orientação e registrar denúncias pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180.


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