Crise explode no Paraguai: presidente destituído é preso, transferido para quartel e deve depor neste sábado

Após impeachment e escândalo envolvendo o Ueno Bank, Santiago Peña enfrenta investigação por possíveis crimes econômicos. Crise bancária atinge cerca de 3 milhões de clientes.

07/11/2026 09H15

O Paraguai enfrenta uma grave crise política e financeira. O presidente destituído Santiago Peña, preso na noite de sexta-feira (6), deverá comparecer ao Ministério Público neste sábado (7), quando sua situação judicial será avaliada.

Inicialmente colocado em prisão domiciliar, Peña foi transferido durante a madrugada para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar em Assunção. A mudança ocorreu após manifestantes se concentrarem diante de sua residência e entrarem em confronto com policiais.

Segundo a imprensa paraguaia, houve protestos, insultos e lançamento de ovos contra o veículo que transportava o ex-presidente.

CNN Brasil

Escândalo bancário provocou queda do presidente

A crise começou após o Banco Central do Paraguai iniciar a liquidação do Ueno Bank, instituição financeira que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes.

O banco apresentava problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. A instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários.

Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2025. Parlamentares da oposição levantaram suspeitas de conflito de interesses e irregularidades financeiras. O ex-presidente nega ter cometido irregularidades.

Impeachment aprovado e investigação criminal

Na sexta-feira, o Senado paraguaio aprovou a destituição de Santiago Peña por 44 votos favoráveis e uma abstenção, após a Câmara dos Deputados autorizar o processo.

Poucas horas depois, o Ministério Público determinou sua prisão e a do ex-presidente do Banco Central, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding.

Entre os possíveis crimes investigados estão tráfico de influência e abuso de confiança. As acusações ainda dependem de formalização pelas autoridades competentes.

Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai, com mandato previsto até 2028.

A expectativa agora é pela decisão judicial sobre a manutenção da prisão de Peña, enquanto milhares de famílias aguardam soluções para recuperar o dinheiro bloqueado no sistema bancário.


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