Crise bancária explode no Paraguai, bloqueia dinheiro de 3 milhões de clientes e ameaça governo

Intervenção no Ueno Bank provoca renúncia do presidente do Banco Central, investigação criminal e pedidos de impeachment contra Santiago Peña.

05/11/2026 09H10

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, que renunciou ao cargo. (Foto: Banco Cen

Uma grave crise financeira e política está abalando o Paraguai. O Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, sofreu intervenção do Banco Central após a descoberta de problemas financeiros. A medida deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e colocou o governo do presidente Santiago Peña sob forte pressão.

Com aproximadamente 3 milhões de clientes, o banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados à previdência social. A situação provocou preocupação entre aposentados, trabalhadores e empresários.

O que provocou a crise?

Segundo as autoridades paraguaias, uma fiscalização identificou que o índice de solvência do Ueno Bank havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.

Também estão sendo investigadas suspeitas de operações de crédito envolvendo empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador da instituição. O banco havia negado irregularidades nas operações questionadas.

A investigação criminal resultou na detenção de oito pessoas ligadas à administração da instituição financeira.

Crise chega ao governo

O escândalo provocou a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central paraguaio, após solicitação de Santiago Peña.

Carvallo havia comandado o próprio Ueno antes de assumir a autoridade monetária, em 2023. Já Peña manteve participação societária no grupo controlador do banco até 2025.

A oposição apresentou pedidos de impeachment contra o presidente, alegando possíveis conflitos de interesse e questionando a concentração de recursos públicos na instituição.

Clientes poderão recuperar o dinheiro?

O sistema de garantia de depósitos prevê cobertura de aproximadamente US$ 38 mil por depositante, protegendo, segundo estimativas, cerca de 97% dos clientes.

Entretanto, a liberação dos recursos ainda gera incertezas, principalmente para quem depende do dinheiro para despesas básicas.

A agência Fitch rebaixou a classificação do Ueno Bank para nível de inadimplência, agravando a preocupação dos investidores.

O governo paraguaio afirma que os responsáveis por eventuais irregularidades serão punidos e que a crise não representa risco generalizado ao sistema bancário.

Fonte: InfoMoney

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