Cortes no Bolsa Família e aposentadorias podem afetar economia de cidades do interior
Estudo da USP alerta que a redução ou o congelamento de benefícios sociais pode prejudicar o comércio, diminuir empregos e aumentar a pobreza em municípios brasileiros.
Joédson Alves/Agência Brasil
A redução ou o congelamento de benefícios sociais, como Bolsa Família, aposentadorias e Benefício de Prestação Continuada (BPC), pode provocar impactos significativos na economia de milhares de municípios do interior do Brasil.
O alerta faz parte de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), divulgado em outubro de 2026.
Segundo o levantamento, os recursos destinados às famílias de baixa renda representam uma parcela importante da movimentação econômica das pequenas cidades. Isso acontece porque grande parte do dinheiro recebido é utilizada imediatamente na compra de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais.
Comércio e empregos podem ser afetados
Dos 5.569 municípios brasileiros analisados, aproximadamente 4 mil estão fora das regiões metropolitanas. Nessas localidades, a dependência econômica dos benefícios sociais e previdenciários pode ser até duas vezes maior do que nos grandes centros urbanos.
As projeções indicam que, sem reajustes reais nos benefícios, a renda agregada dos municípios do interior poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário de manutenção da valorização dos pagamentos nos próximos três anos.
A redução do poder de compra das famílias também poderia atingir supermercados, farmácias, pequenos comerciantes e prestadores de serviços, comprometendo empregos e a arrecadação municipal.
Milhões de brasileiros podem ser atingidos
O estudo aponta que, caso os benefícios não tivessem registrado ganhos reais entre 2022 e 2025, aproximadamente 2,7 milhões de pessoas a mais poderiam estar vivendo na pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas.
Desse total, cerca de 2,4 milhões poderiam estar em situação de extrema pobreza.
Entre os estados com maior impacto proporcional projetado estão Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, onde a renda poderia apresentar perdas entre 17% e 18% em comparação ao cenário de valorização dos benefícios.
Reflexos nas cidades do Paraná
Em municípios do interior paranaense, incluindo Guarapuava e cidades da região Centro-Sul, os benefícios sociais também contribuem para a circulação de dinheiro no comércio local.
Entretanto, o levantamento divulgado não apresenta estimativas específicas para Guarapuava ou para os municípios da região.
Os pesquisadores destacam que a manutenção do poder de compra dos beneficiários é importante não apenas para as famílias atendidas, mas também para a sustentação das atividades econômicas das pequenas cidades.
O estudo apresenta projeções de possíveis impactos econômicos e não significa que cortes nos benefícios já tenham sido aprovados ou anunciados.
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