CNI reage ao tarifaço dos EUA e cobra ação imediata para proteger a indústria brasileira

Entidade defende negociação com os Estados Unidos, propõe nova missão da política industrial e alerta para impactos bilionários sobre exportações e empregos

25/07/2026 08H30

foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta no setor produtivo nacional. Diante do novo cenário, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu a continuidade das negociações diplomáticas entre os dois países e apresentou uma proposta para reforçar a competitividade da indústria brasileira diante das novas barreiras comerciais.

A medida anunciada pelo governo norte-americano acrescenta uma tarifa de 12,5% sobre exportações brasileiras, sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado. O percentual soma-se à sobretaxa de 25% que entrou em vigor anteriormente, elevando significativamente o custo de milhares de produtos brasileiros destinados ao mercado dos Estados Unidos.

CNI pede negociação como prioridade

Após reunião com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a principal prioridade é manter aberto o canal de diálogo entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo ele, uma guerra comercial traria prejuízos para ambos os lados, especialmente porque grande parte das exportações brasileiras é composta por insumos utilizados pela própria indústria norte-americana.

A entidade reafirmou apoio ao governo brasileiro para buscar uma solução negociada, considerada a alternativa mais eficiente para evitar perdas econômicas e preservar a competitividade da indústria nacional.

Plano emergencial para reduzir os prejuízos

Além da negociação diplomática, a estratégia apresentada pela CNI prevê ações em duas frentes.

No curto prazo, o objetivo é oferecer apoio imediato às empresas afetadas pelas tarifas, com participação de instituições como MDIC, ApexBrasil, ABDI, Sebrae, BNDES, SESI, SENAI e IEL.

Já no longo prazo, a proposta é ampliar a presença internacional da indústria brasileira por meio de uma nova política de incentivo às exportações e à inserção em cadeias globais de produção.

Nova missão da política industrial

A principal novidade apresentada pela CNI é a criação de uma sétima missão dentro do programa Nova Indústria Brasil (NIB).

A proposta prevê um programa específico voltado ao fortalecimento da internacionalização da indústria brasileira, oferecendo suporte permanente às empresas que atuam no comércio exterior e criando mecanismos para enfrentar futuras barreiras comerciais.

Atualmente, o programa Nova Indústria Brasil possui seis missões estratégicas voltadas para áreas como agroindústria, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa. A nova missão teria caráter complementar e foco exclusivo na competitividade internacional.

Bilhões em exportações ameaçadas

Mesmo com a manutenção de exceções para produtos como café, carne bovina e suco de laranja, a CNI estima que aproximadamente 4 mil produtos brasileiros foram atingidos pelas novas tarifas.

O impacto pode alcançar cerca de US$ 12,4 bilhões em exportações, afetando principalmente produtos manufaturados, segmento considerado um dos mais sensíveis às novas barreiras comerciais.

Segundo Ricardo Alban, a nova tarifa reduz drasticamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e exige respostas rápidas tanto do setor público quanto da iniciativa privada.

Carta enviada ao governo dos Estados Unidos

Como parte da estratégia de negociação, a CNI informou que encaminhou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a retomada das negociações bilaterais e destacando oportunidades de cooperação em áreas estratégicas como inteligência artificial, data centers, minerais críticos e agregação de valor industrial.

A entidade sustenta que existem interesses econômicos comuns capazes de beneficiar as duas economias caso prevaleça o diálogo em vez da escalada das tarifas.


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