Brasil tem os maiores juros reais do mundo: taxa de 9,05% pesa no bolso dos brasileiros

País lidera ranking de 40 economias, à frente de Turquia e Argentina. Selic mantida em 13,75% encarece empréstimos e financiamentos, mas favorece investimentos em renda fixa.

08/11/2026 09H30

foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil ocupa a primeira posição no ranking mundial de juros reais, com taxa de 9,05% ao ano, segundo levantamento divulgado pela consultoria Moneyou em novembro de 2026. O índice brasileiro é mais de sete vezes superior à média de 1,27% registrada entre os 40 países analisados.

Os juros reais representam o rendimento dos juros após descontar os efeitos da inflação, permitindo comparar o custo do dinheiro entre diferentes economias.

Confira os cinco países com maiores juros reais:

  1. Brasil: 9,05%

  2. Turquia: 7,77%

  3. Argentina: 6,80%

  4. Rússia: 6,57%

  5. Colômbia: 4,05%

Em setembro, o Brasil já liderava o levantamento, mas apresentava taxa inferior, de 8,45%.

Selic permanece em 13,75%

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de redução iniciado em abril.

O Banco Central justificou a decisão pelas incertezas econômicas e pelas expectativas de inflação acima da meta estabelecida.

Como isso afeta seu bolso?

Para consumidores, os juros elevados podem significar financiamentos mais caros, prestações maiores e dificuldades para contratar empréstimos.

Empresas também enfrentam custos superiores para investir, ampliar suas atividades e gerar empregos.

Por outro lado, aplicações de renda fixa, como CDBs, títulos públicos e produtos oferecidos por cooperativas de crédito, a exemplo da Cresol, podem apresentar rendimentos atrativos. É importante avaliar taxas, prazos, liquidez e riscos antes de investir.

Dívida pública preocupa

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, os juros da dívida pública ultrapassaram R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, equivalentes a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Enquanto representantes da indústria defendem a redução dos juros para estimular a economia, o Banco Central mantém atenção ao controle da inflação.

O cenário exige planejamento financeiro de famílias e empresas, especialmente na contratação de crédito.


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