Aquele que cava um buraco para o outro, pode acabar caindo dentro dele

11/12/2021 07H00

foto: Divulgação/arquivo pessoal

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

iraja@prof.unipar.br

 

Abigail Van Buren (1.918 – 2.013), foi uma colunista americana de consultoria e apresentadora de rádio que iniciou a coluna Dear Abby em 1956. Tornou-se a coluna de jornal mais amplamente divulgada no mundo, distribuída em 1.400 jornais com 110 milhões de leitores. É dela a frase: “É quase impossível jogar sujeira em alguém sem ficar um pouco em si mesmo”.

Vivemos em sociedade (família, trabalho, esporte, lazer, etc.), e, todos, almejamos a paz social. No entanto, essa desejada paz depende de pessoas e/ou gestores públicos competentes e comprometidos em servir ao próximo e à nação. É certo que todo homem/mulher tem um grande potencial para praticar o bem, todavia, não se pode negar que esse mesmo indivíduo, também tem potencial para a prática do mal, especificamente quando procura apenas os seus próprios interesses, não se importando com o seu semelhante. Em muitos casos, cava um buraco para o outro, sem perceber que pode acabar caindo dentro dele.

Somos seres humanos em construção, portanto, somos imperfeitos, e, por esta razão, em alguns casos, deixamos o nosso ego tomar conta de todo nosso ser. Nessa condição (de ego inflado), nós não conseguimos mais enxergar além do nosso próprio umbigo. Neste estado de espírito não aceitamos mais nada, nem ninguém que não satisfaça essa idealização própria de heroísmo e perfeccionismo. É nesse momento que fazemos de tudo para impor, impiedosamente, a nossa vontade. Esse comportamento humano tem explicação?

O fato é que vivemos sim, em um mundo repleto de competitividade, de valorização do ego, da necessidade do reconhecimento, de autoestima elevada e de fascinação (fatores que estimulam o comportamento destrutivo). Na disputa pelo “espaço” vamos esquecendo e deixando para trás o nosso inconsciente, o nosso verdadeiro ser, e, não raciocinamos mais com equilíbrio e coerência. Ana Cerqueira (psicanalista), afirma que, no auge da crise egocêntrica, tudo que consideramos pedra no caminho será destruído, seja uma obra, uma pessoa ou uma filosofia. Tudo que nos impeça de nos valorizarmos mais e de valorizar os que nos apoiam será varrido da nossa frente, sem empatia e sem medir as consequências (destruição física e psicológica de pessoas – assédio moral). Temos que “destruir” para “construir” o novo perfeito. A que preço? Quais as consequências desta “destruição”?

O egocêntrico paga caro, muito caro, por seu comportamento. O ego inflado vem sempre acompanhado da inveja. Para Mario Louzã (psicanalista e psiquiatra), a inveja é um sentimento humano primitivo que se caracteriza por ódio ou rancor em relação a algo de bom que o outro tem e o invejo não. A inveja que alguém me causa leva ao desejo de atacar, “destruir” (literal ou metaforicamente) o objeto bom, explica Louzã.

A inveja escancara que não somos perfeitos, por isso é tão difícil lidar com ela ou mesmo admitir que a sente. “Ela fere meu narcisismo ao mostrar que o outro tem algo bom que eu não tenho. Pode ser desde um bem material, uma qualidade, um dom ou uma característica positiva”, diz o psicanalista.

Abigail Buren afirma: “Combata fogo com fogo e tudo que restará são cinzas”. O objetivo da vida é diminuir o ego e não fazer com que ele cresça. Cultive o hábito de olhar para dentro do seu coração e perceba se é o amor que o está motivando para suas ações e se tudo o que está fazendo para os outros, você também gostaria que estivem fazendo para você. Exercício diário simples e eficaz para detectar o egoísmo e a inveja. Eis o desafio!  

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