Ao Receber Golpes de Indiferança e preconceito produza uma pérola

A metáfora da ostra e da pérola retrata bem essa forma de vida do homem contemporâneo. Qual seja: “Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas...”

12/09/2020 17H50

foto: reprodução

 Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná - Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

iraja@prof.unipar.br

 

Joaquim Maria Machado de Assis (1839 - 1908), nascido no Estado do Rio de Janeiro, de origem pobre, foi um escritor brasileiro, considerado por muitos críticos, estudiosos, escritores e leitores um dos maiores nomes senão o maior nome da literatura brasileira. Para alguns literatos estrangeiros é tido como o maior escritor negro de todos os tempos. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário. Testemunhou a abolição da escravatura e a mudança política no país quando a República substituiu o Império. É dele a frase: “Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram”.

Para Rojas, o homem contemporâneo vive desprovido de valores (verdade, liberdade, razão, humanidade, etc). Por esta razão, é preconceituoso e trata com indiferença todos que lhe contrariam. Por conseguinte, aqueles que não buscam nem amam a verdade costumam chamar de sua verdade o que possuem ou o lugar onde estão. Vão tateando e jogando com as palavras, ajustando-as ao que mais lhe convêm. Isso porque perderam seu próprio espírito de luta, com o que tudo é permitido e adequado desde que seja aprazível. Usam e abusam das pessoas como se fossem objetos descartáveis.

A metáfora da ostra e da pérola retrata bem essa forma de vida do homem contemporâneo. Qual seja: “Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas...”

As pérolas são feridas curadas. Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada Nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células do Nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.

Você já se sentiu ferido(a) pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas ideias já foram rejeitadas, ou mal interpretadas? Você já sofreu os duros golpes do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença? Então, produza uma pérola. Cubra suas mágoas com várias camadas de Amor. Infelizmente, são poucas as pessoas que se interessam em melhorar-se, curar-se. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, deixando as feridas abertas, alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem. Recebem e transmitem maus tratos e indiferença, sem parar para refletir nas consequências nefastas dos seus atos. Assim, na prática, o que vemos são muitas “Ostras Vazias”, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em Amor.

Lamentavelmente, no homem contemporâneo há prazer sem alegria, porque se esvaziou a autêntica alegria de seu projeto, ele ficou oco, sem consistência. Resolveu entregar-se à moda. Não há espaço para lealdades permanentes, pois tudo é negociável. Em vez de combater o cinismo e a agressividade mediante convicções firmes, joga-se nos braços do hedonismo, do consumismo, da permissividade e do relativismo. Agindo assim, mostra-se um tipo humano frágil, precário, alheio aos valores, ou seja, ao que verdadeiramente tem valor. 

Machado de Assis nos ensina: “Sim, eu me faço de forte, mas já chorei no meu quarto, em silêncio, a porta fechada, travesseiro no rosto, chorei por dentro, sofri. Mas sabe o que tudo isso resultou; nada, é preciso aprender a crescer, viver, ser ‘gente grande’ e enfrentar os próprios problemas”. Portanto, antes de sair por ai ferindo pessoas e, também, sendo ferido, lembre-se: um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes fala mais que mil palavras!