Uso do celular é 3ª maior causa de morte no trânsito; flagrantes aumentam

domingo, 24 de fevereiro de 2019

No mês passado, o Detran-DF autuou 108 motoristas por dia atendendo ligações ou enviando mensagens de texto enquanto dirigiam. Infração é a terceira principal causa de mortes nas vias. Segundo especialista, a melhor saída é intensificar a fiscalização.

Cézar Feitoza-Correio Braziliense

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(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Problema é comum, mas o Departamento de Trânsito diz precisar de mais equipamentos, como drones, para monitorar massivamente (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 
Em janeiro, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) autuou 3.363 motoristas por usarem o celular enquanto dirigem — uma média de 108 por dia. A infração, considerada gravíssima, causa até hoje um rebuliço na fiscalização porque não há equipamentos suficientes para um monitoramento mais efetivo e em larga escala. Segundo Hartmut Günther, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), o entendimento de ser vigiado a todo momento ainda é a medida mais eficaz no combate ao uso do celular ao volante. Mesmo com ocorrências subnotificadas, o Detran flagrou 196 motoristas acessando dispositivos eletrônicos enquanto dirigiam por dia em 2018.
Isso representa 71.459 multas no ano, número superior ao registrado em 2017, quando 70.863 autuações foram feitas. Desde dezembro de 2017, o departamento utiliza três drones para auxiliar na identificação dessa infração que, antes, só era flagrada por agentes nas ruas. “Temos algumas câmeras que fazem o monitoramento das vias, mas no sentido de ver a fluidez delas. Ainda não temos o sistema de fiscalização por vídeo para flagrar esses casos, como o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) tem, mas estamos iniciando um processo para trazer essa tecnologia para o DF”, conta Glauber Peixoto, agente e chefe da Assessoria de Comunicação do Detran.
 
Segundo Peixoto, os drones ajudam a expandir o campo de visão dos agentes durante a fiscalização, mas há poucos equipamentos e não há previsão para a compra de novos. “O foco, hoje, está em agilizar o processo do videomonitoramento e fazer campanhas educativas. Os motoristas precisam entender o perigo que é dirigir mexendo no celular”, afirma. Professor de psicologia da UnB e especialista em comportamento no trânsito, Hartmut Günther diz que, em geral, os condutores entendem o risco de vida envolvido, mas escolhem satisfazer o desejo imediato em detrimento do cuidado com a segurança. “São muitos os motivos, mas passam por ansiedade, curiosidade quando o celular toca”, aponta.
 
“Ou talvez a pessoa já esteja esperando alguma ligação. E, nos horários de rush em Brasília, é ainda mais comum que as pessoas peguem no celular, é uma consequência do entupimento das vias”, destaca Günther. Para ele, a medida mais eficaz para o combate ao uso do celular ao volante em curto prazo é o aumento da fiscalização. “Claro que envolve uma mudança na mentalidade, na cultura do brasileiro. O assunto ainda não foi problematizado o suficiente, como tem sido com o uso do álcool. Mas é certo que o aumento da fiscalização, ver uma multa chegar na sua casa porque você estava mexendo no celular, é mais efetivo neste primeiro momento”, explica.


Desatenção

Em 40 minutos de observação no início da W3 Sul numa tarde de sábado, quando o movimento não estava intenso, equipe de reportagem do Correio flagrou mais de uma dezena de motoristas usando o celular, seja para mandar mensagens de texto, seja para atender ligações. “Aqui é sempre assim. Hoje mesmo, saindo daqui, eu tive de desviar de um cara que parou o carro do nada. Quando passei por ele, vi que estava mexendo no celular. Soltei a mão na buzina, tenho uma raiva quando isso acontece”, relata o taxista Petrônio Barbosa, 51 anos. Há 29 anos como motorista, Petrônio conta que chegou a utilizar o telefone durante um tempo para atender ligações, mas percebeu o perigo e deixou a prática de lado há alguns anos. “Se, falando ao telefone, mas olhando tudo, a gente perde a atenção, imagina mandando mensagem de texto, mexendo em aplicativo? É um perigo”, observa.
 
Em uma via de 80km/h, a desatenção de três segundos ao pegar, destravar o celular e abrir uma mensagem pode causar uma tragédia. Isso porque, nesse curto intervalo de tempo, o veículo percorre 66 metros, o suficiente para que algum carro freie ou passe à frente e o condutor não consiga controlar a situação. Aliás, é a desatenção causada pelo uso do celular que o tornou a terceira causa principal de mortes no trânsito no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). O estudo concluiu que 150 pessoas morrem por dia, vítimas de motoristas desatentos que utilizavam esses dispositivos no momento do acidente.
 
Ainda segundo a Abramet, o tempo médio de resposta de mensagem de texto é de 20 a 23 segundos, enquanto se gasta de oito a nove segundos para atender a uma chamada telefônica. “Vimos um acidente, recentemente, em que o motorista sequer freou o carro quando colidiu com um caminhão. Se tivesse freado, a chance de sair vivo da batida teria sido muito maior”, reforça Glauber Peixoto, do Detran. Manusear o celular enquanto dirige é infração gravíssima, e a penalidade são 7 pontos na carteira e pagamento de multa no valor de R$ 293,47. Com o dinheiro arrecadado, o Detran-DF financia campanhas educativas para conscientizar o público a parar de telefonar ou de checar mensagens ao volante.

Ocorrências por ano autuações por usar celular ao volante crescem

2016: 51.468
2017: 70.863
2018: 71.459
 
Janeiro de 2019: 3.363
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